quarta-feira, 18 de novembro de 2009
For My Love
So, I ask to you:
Don't cry when I'm not here, because I'm breaking my heart, if you're crying anywhere and I won't be there.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Equilibrista da vida
Como já ouvira, situações que traziam desconforto a ele, afectavam seu humor e tiravam seu equilíbrio. Ele sempre vivia nas pontas dos pés. E, mesmo tentando se equilibrar, seus ventos internos tiravam-lhe o prumo. Estas tempestades poderiam ser mais devastadoras que as externas.
Mas ele tinha tomado tento com o coração.
Ele ganhara um coração e um bocado de altares. Assim, ganhou ritmo e subiu ainda mais alto. Virou equilibrista e, ainda que não possuísse seu chapéu-coco e nem a garrafa de bêbado (desse só conseguira a fama), se aventurara em linhas diversas.
Sempre gostara de alturas e altares.
Mais quando se encontrou bem depois do meio da travessia, lembrou-se de ventos e tempestades. A ausência causou o caos e nunca ventos foram tão fortes. Estava no alto-altar, e rede de protecção a vida não lhe oferecia. Algumas situações na vida não vêm com prazo de validade, nem o famoso ”puxe-aqui”. Flutuava no céu de estrelas, mas ainda possuía seu ponto de apoio sob os pés.
E mesmo sem cais, encontrou um Porto, mesmo sem ter onde aportar.
Então pode também se lembrar de conselhos antigos:
"Esse é o pulo do gato: tirar leite de pedra, ou seja, ter equilíbrio e se sair bem no caos (enxergar oportunidades), porque em situações favoráveis todo mundo é igual."
Ele não era igual. Nem a situação. Nem o altar.
Nada mais era.
E no breu de hoje, sentia que o tempo da cura poderia tornar a tristeza normal. Há situações que marcam. Seu medo era o quão fundas elas poderiam ficar.
Eram tantas marcas que já faziam parte. Não sabia mais o que era parte, o que era ele.
Mas isso era a vida, altares, o fio de ser equilibrista.
Sem mais, a vida ia a passar no vazio e a estava com tudo a flutuar no rio esperando respostas.
Respostas da vida, respostas que ele mesmo construiria.
"A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar..."
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Sensações da noite
Por mais que ele puxasse com toda força o ar para dentro, ele não entrava. Quase perguntou se ainda sabia fazer aquilo ou se já tinha perdido o sentido.
Mas os sentidos ainda estavam ali, todos a flor da pele aflorando com tanta intensidade que nem podia perceber tudo que estava por acontecer e o rodear.
Era nó na garganta, o estômago colado nas costas, o vômito praticamente na boca, os dentes mais do que cerrados, mandíbulas travadas, as mãos trêmulas, o grito que não lhe saía da garganta, os olhos cheios de lágrimas que não escorreriam e o velho questionar dos porquês. Sim, este sempre estava ali.
Mais do que nunca as palavras passadas que um amigo lhe falara ecoaram tanto dentro de sua cabeça. Era o passado que fora transformado em presente:
Amigo diz:
a cara .. isso é cruel mesmo....
e justo agora
sei que vc quer os porque.. todos os porques
imagino o q passa na sua cabeça.....
meu amigo inquieto.
Ele diz:
não sabia q vc me conhecia tanto assim
Amigo diz:
Eu sei como vc é
eu tb .. fui assim
a gente é inconformado com a vida
Ele diz:
Meu Deus, vc me conhece mesmo
mas é exactamente isso
eu já questionei sobre isso mais de milhões de vezes. Mas em nenhumas delas eu cheguei a me lamentar, preferi viver.
E viver doía. Ele sabia disso.
Não entendia o que passava dentro dele mesmo, e talvez nem tivesse importância, pois tentava entender o que se passava a léguas dali, naquele local que sempre roubara o seu pensamento e sua alma.
Era pré-ocupado, e já tinha seu destino cravado na pedra se encontrasse-se só.
Largaria tudo e se afogaria... no trabalho, na ambição. Tinha certeza que esta seria a única maneira de voltar a respirar se perdesse a alma. E isso não doeria mais, nunca mais.
Mas ainda tinha um fio de vida, aquele completamente contrário, que ele insistia em manter dentro de si. Ele se preocupava e queria bem.
Poderia sentir raiva, vontade de odiar, de expulsar da vida, de exorcizar e também mandar para os diabos…, mas não conseguia, e nem queria, e nem tinha vontade. Queria sempre perto, mais perto do que a própria carne, mais dentro que a própria alma.
Era das poucas coisas que ele não tinha explicação, mas também não as queria.
Já tinha tomado as próprias decisões para isso. É como dissera em cafés gelados: Dilaceraria a própria pele para isso. Ele gostava de ver o próprio sangue correr. Já tinha vivenciado algo assim, mas desta vez nem queria mais continuar vivo se as coisas não fossem assim. O sangue correr para fora do corpo lhe traria vida. Ele tinha amor, e tinha uma vida.
Lembro da epifania e entendeu o que a maldita que chegara a pouco a seus ouvidos queria lhe dizer. Era exactamente aquilo: era um, mas era diferente. Era o melhorar, mas poderia ser somente ali. Não sabia se tinha desapontado ou se tinha deixado um gosto ruim na boca. Sabia que não poderia levantar os mortos, nem mesmo se estes fossem ele. Sempre questionava-se se era pedir demais, mais do que o possível. Sabia que deixaria, se não fosse cuidado. E, por isso, tentava até a última gota. Mas o amor era um templo, era a maior lei.
Traduzia-o, como nunca o traduzia.
Era o seu suplicar para que o traduzisse.
Uma vida, mas não era igual.
“One love, one blood, one life, you got to do what you should.”
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Telhado de Vidro
E hoje, orgulhava-se por tê-la ao seu lado.
Mas não foi sempre assim. Deve ser uma daquelas coisas de seres mais novos que percebem tardiamente certas situações. Seres que, por virem depois, teoricamente recebem a protecção maior e trazem também inveja e ciúmes aos demais.
Mas, dependendo das idas e vinda da vida, e na vida deles tinha bastante disso, estas fazem exactamente por ampliar a protecção, e a inveja e ciúmes caem sim no campo do eterno esquecimento. Por vezes esse proteger pode se amplificar e nem sempre é bem visto por aqueles mais novos. Deve ser aquela história de boa intenção…
E algumas das brigas foram exactamente por isso. Mas estas já passaram.
E tanto estas, quanto todas vivências que ele teve foram sempre, de alguma forma, a seu lado. Ela sempre esteve ali desde que nascera, e ela sim teve que se acostumar com a sua presença. Ela já fazia parte do mundo quando ele chegou, e, por vezes, foi o mundo onde pode se abrigar.
Hoje, mostravam-se cada vez mais unidos. Ela conhcecia alguns dos seus telhados de vidro. A cumplicidade por dividir experiências e todas outras situações da vida os ligavam. E ele sabia que isso neles era especial; que nem sempre estes laços eram assim. Mesmo a idade foi algo que ele agradeceu por perto ser.
Desejou que fosse assim com os seus.
O amor e o ódio, se assim pode se dizer, eram das emoções que lhe afloravam a pele. Mas ele sabia que sempre existira somente o amor por dentro.
Ele sempre agradeceria a ela; sempre.
E depois de muito tempo, em terras distantes, quando lhe faltavam as palavras, ele percebeu que ela era seu Telhado de Vidro:
Protegia-o; mas, no entanto, permitia-o ver os céus.
domingo, 11 de outubro de 2009
Identificação paradoxal
No entanto, acima de tudo, poderiam ser juntos, se assim desejassem. Desafiariam o pra sempre que sempre acaba, a racionalidade, os quatro ventos e tudo mais que estivesse no outro time. Tinha sido assim desde o início e não seria agora que seria Diferente por este sempre estar neles.
Mais uma vez teriam que desdenhar do tempo e das distâncias, desafiar mais do que meros gigantes; desafiariam os gigantes de Celta, dos Balcãs e da Sicília. E ainda pior, seus próprios gigantes, até mesmo aqueles que acabavam por uni-los. Mas venceriam todas lutas, batalhas e guerras.
Seguiam as pistas com toda incerteza para continuarem felizes a mesa. E a cada dia a decisão estaria por assim cumprir o seu papel por serem mais do que a soma de Diários e Buttons fazendo brotar a força que parecia vir de lugares nunca antes presentes.
Parou, olhou os céus e a lua, e perguntou se ela também pensava nele. Teve a certeza do sim.
Mesmo os pensamentos mostravam a proximidade e junção, apesar dos paradoxos. Não importando as léguas de distância que insistiam por separá-los, em mesmo dias, os pensamentos caminham no mesmo sentido e direcção.
Eram a associação, a soma, o politicamente incorrecto (nunca agradeceu tanto por isso), a vontade e tudo que assim desejassem para estarem juntos.
E o intenso pelo viver estava em cada lado, talvez o ponto que logo de cara os uniu de maneira que nem eles mesmo entenderam. E o seguir o coração também estava de cada lado, e foi mais um dos responsáveis da aproximação. Talvez o maior responsável. Mas não necessariamente o mais importante, pois este é difícil de se ver com tantos picos e vales.
Mas ficariam juntos. Isto era a certeza que estava em cada lado, do mesmo lado, o do coração.
"Tonight the sky above
Reminds me of you, love
Walking through wintertime
Where the stars all shine.
The angel on the stairs
Will tell you i was there
Under the front porch light
On a mystery night."
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A voltar e vivo
Neste tempo de segundo silêncio, as coisas foram um pouco diferente daquele primeiro tempo de reclusão. Desta vez viu a vida passar e agarrou cada oportunidade. Não que tudo tinha sido fácil, pelo contrário. O fácil não tinha graça, e a persistência poderia ter certa dádiva.
Com toda certeza ele diria que vivera; que o sangue correu nas veias, que pode sentir cada batimento alimentar a magnificência que é estar vivo.
Permaneceu vivo na vida: fez amigos, aprofundou certas e outras amizades, destruiu corações, desdenhou do tempo e das distâncias, descobriu amores, viajou e dirigiu como nunca, quase previu o futuro (ou assim ainda desejava), passeou no parque, chorou, teve mais conversar com a luz apagada e pode sentir ainda mais falta disso, agradeceu aos amigos por simplesmente assim serem, permaneceu atónito com o tempo que as coisas podem durar e ainda o quanto elas podem crescer em tão pouco tempo, sorriu, viveu sonhos, e pode até compartilhar um com uma grande amiga. Ganhou Vida.
Viu o mundo se abrir a sua frente e, a cada passo, tinha certeza onde chegaria sem enxergar ao certo todos os caminhos. E aquela história de qualquer caminho não se aplicava por saber o destino.
A vida passou como um trem na noite e ela tinha estrelas. Ainda bem que tinha. Era óptimo olhar o céu, sentir o vento no rosto e perceber que a felicidade estava ali. Não pela esfera momentânea que as vezes fatos isolados podem trazer, mas porque a vida sorria para ele, como sempre faz a nós, e ele sorrira para ela um sorriso cheio de dentes.
E até mesmo pelas circunstâncias que a vida lhe trouxera, estava a voltar a velhas manias pois algumas, mesmo com o tempo e pouca usabilidade, ainda permanecem, o borbulhar e fervilhar ali permanecera. (Re)fez e (re)viu os passos para saber se ainda poderia trilhar cada etapa.
O coração receoso também permanecia.
E acreditou mais uma vez que as coisas acontecem na hora que tem que acontecer. Ainda bem novamente.
Com isso, pode até agradecer aos céus, apesar de algumas vezes questioná-lo, mas sabia que Ele sempre acertara. Tinha uma coração genioso e acelerado, e até disso pode gostar em si.
O gosto da vida passara pelos lábios, e a beijaria novamente para poder ainda ter mais que um mero coração que batia dentro de si. Queria a vida vívida para permanecer no mundo pois o intenso sempre esteve nele, e ele no intenso.
Estava vivo, mais do que nunca, ainda bem, estava vivo.
“ Eu quero uma lua plena, Eu quero sentir a noite, Eu quero olhar as luzes (..)
Agora eu vou viver.”
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Esperanças de quinta à noite
Esperar vivendo era o que decidira. Era diferente de viver esperando, e assim, duas horas sozinho não fazia mais importância. O dia vinha chegando ao fim, e o crepúsculo trazia com a noite a benéfica esperança maldita. Era mais uma forma de enxergar que ainda poderia ter esperança.
Esperanças de quinta à noite deveriam durar para sempre.
E esta esperança mostrava que nem sempre os finais precisam ser as mil maravilhas, podendo ter espaço para as próximas fases. O tempo que demoraria a mudar de estação talvez não possuía mais a relevância que um dia tivera pela simples certeza do rumo das coisas. Apesar do futuro ser construído a cada escolha, Alice sempre tinha razão. Ainda bem que tinha. Não quisera um país das maravilhas. Ele sempre preferia o real. Fosse das ruas londrinas, fosse de qualquer cidade.
Sim, ele sabia que doía como os amigos e a vida acabam por lhe mostrar. Mas sabia que valia a pena. Era esperançoso. Re-vigorante. Re-confortante. O ar adentrava aos pulmões e o deixava leve..., como a espera, depois de fases de desespero, deveria ser.
"But still call me baby
Oh love
So call me by my name"
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
O Sempre no Nunca
Só eles sabiam o quanto isso dava nós e laços na garganta. As laçadas não sufocavam para matar, somente para tirar a força e deixar o desespero diante dos olhos.
Retirado também era o foco e tudo se tornava fosco, pois o brilho eterno permanecia tentando encontrar a lembrança. Mas ela ainda não chegara. Ele fechava olhos e podia ver o seu contorno.
Linda...,
Esplêndida...,
Bela como sempre seria a seus olhos...,
independente da forma de envelhecer.
Enxergá-la não era uma questão de esperança. Era certeza. Era a presença que podia sentir. E sabia que um dia estariam juntos desafiando o pra sempre. Perguntava, por vezes, se ela sentira também a sua presença mesmo com a distância. Anotou a pergunta para um dia fazer a ela.
Mas ela ainda não chegara. E esperar, sem planos, era a vida que teria que seguir.
Talvez soubesse a causa para tamanho vazio: Teria que seguir em frente antes ser. Era uma questão de foco, fosco, mas foco.
Um dia estaria ela em sua frente, e assim, abandonaria tudo, e seria feliz.
O tempo que isso demoraria? Esperava que não fosse tão devastador por lentamente também o roubar as forças.
E mais uma vez, teorias de vilões o fizeram se encontrar coberto pelas nuvens.
Era difícil entender como tão facilmente o que cantavam o traduzia tão plenamente. Cada palavra soava como sua, sendo só mais um ponto de encontro sob as páginas, na ausência do sol, com o fim de um belo dia, com a chegada da noite.
Sabia como se sentiam..., o que queriam cantar, as angústias e torturas interiores, o que diziam de maneira simples em conversas com bons amigos:
"Mas confesso que queria alguém.
Alguém pra ter do lado, pra ligar depois do trabalho, pra ter com quem xingar o chefe, pra ter pra quem voltar nas sextas de chuva (como vai ser amanhã); pra ficar abraçado, dormir num sábado com filme, poder rir, gargalhar, só olhar pra ela e ficar babando. Alguém pra ficar de mão dada e andar de carro junto. Abraçar e saber que é meu. Fazê-la se perder dentro dos meus olhos e dentro dos meus jogos. Seduzir, quase matar de rir, provocar até a coisa ficar mais do que perigosa, fazê-la perder o sentido e o juízo e ir com ela nisso. Alguém para poder enxugar minhas lágrimas, e meu peito ter a cabeça de quem descansar. Alguém pra dar o primeiro pedaço do bolo, escrever todas as minhas músicas, viajar seja em sonho ou de carro, dizer besteira no pé do ouvido, e ter aflição que não é mais aflição. Poder sentir e reconhecer o cheiro de manhã sem nem abrir os olhos. Ver o sol nascer e se por. Ter quem me chame de “meu, só meu e de mais ninguém”, de qualquer carinho que me faça perder o sentido e ganhar o vermelho mais envergonhado. Alguém pra rolar na grama sob a chuva, pra sentir o cheiro do cabelo, passar os lábios pelos olhos desejando boa noite, voltar depois da briga dizendo que "não consigo ficar sem nem por mais um segundo", pra olhar o mar e pensar nas bolhinhas de sabão do casamento. Pra envelhercer do lado, e ter netos depois de termos nossos filhos. Alguém que me pergunte se a roupa tá boa e que pra mim sempre estará, e que melhor ainda é se tivesse sem. Pra perder horas de sono olhando as estrelas, jogar conversa fora, dar um anel no noivado e uma flor por dia. Olhá-la e ficar admirando-a com aquele barrigão, e saber que o filho que ele espera é nosso. Alguém pro jantar a luz de vela, pra dividir os problemas e a pipoca com leite condensado. Pra dançar bem pertinho fora do ritmo ou até sem música.
Alguém assim..., que simplesmente me ame e eu ame....
Alguém...
O que é meu tá guardado."
" 'Cause without me
You got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on"
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
MetaLgem I
Nos últimos tempos, conversara por horas a fio no escuro e, como dizem: “falar alivia dores emocionais”. Alivia, não as elimina. Talvez por essa razão não enlouquecera, pelo simples despejar de palavras. Mas até isso nele era controlado, meticuloso. Mesmo com o farfalhar de palavras, ainda assim mantinha seus disfarces para que pudesse se preservar do que mesmo ele não queria que estivesse ali. Mas a presença se faz viva apesar dos olhos fechados, apesar dos átrios vendados.
E assim, chegara o momento. Teria que voltar. A confluência dentro de si borbulhava e começar a apertar os pulmões fazendo que o ar não adentrasse mais. Talvez alguns elogios o motivara, mas sabia que a solidão que sentia era a fonte maior do retorno. E era um processo solitário, como o andar entre a gente. Sabia que teria Respirar como em outras vezes. Mas neste período deveria seguir bons conselhos e permanecer longe da janela do segundo andar. Neste entremeio de vida-arte e arte-viva, cultivaria nas profundezas até que pudesse publicá-las pensando que todo o processo fosse maior do que ele próprio, do que as interioridades em si. Tudo isso porque desde quando seus sonhos quase ficaram pelas lacunas, queria ser artista. Talvez conseguisse, talvez eternamente tivesse que tentar. E até isso era meticuloso, mas não 100% controlável, pois como sempre, o tempo acabara e assim era determinado o fim.
"Autopsicografia - Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só as que ele não têm.(...)
.
.
.
Já dizia Fernando..
Clarice dizia que suas palavras precisavam ser sentidas e não entendidas...
Adélia Prado escrevia o que sentia, "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina."..."
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
com a noite chegando ao fim
Nem nos pólos as noites são tão escuras como fora este período. Ele se trancara em si e vivia a vida que insistia a passar.
E muita coisa aconteceu nestas noites. Fins,... conquistas,... novas fases,... meses primos,... atos atrasados de anos atrasados, quem sabe três,... e alguns que até mesmo ele não sabia como juntara força e audácia para seguir.
Estar no escuro, não se exorcizar, talvez fosse à maneira de fingir que tudo estava em seu controle, ou até mesmo que não aconteciam. Mas, no fundo, ele sabia que tudo era apenas uma maneira de se enganar. O fato de não extravasar tornara as coisas menos pior. Mas era pura ilusão. Devia ter aprendido com os céus, que exibiam o externo. Neste período chegou a contestar o quanto da sua vida não era só e meramente isso, ilusão.
Após partir um coração, viu se numa cozinha tentando falar sobre o que três anos não conseguiram. Depois, as lágrimas desabaram e questionou até mesmo as voltas do mundo, suas vontades, seus momentos de cegueira, o que era tudo aquilo... e concluiu que poderia ser tudo tolice, sua tolice. Perguntou interminavelmente o porquê dos porquês, mas não obtivera resposta. E talvez nunca as tivesse. Mas, acompanhando o seu lado último do litoral, acabava entrando sempre sem querer na sua vida, e parecia que não teria nada, se não tivesse. O mundo era incompleto e tinha gosto de mel e fel.
Encontrara partes do dar certo, mas também seu slogan: a eterna busca por existir.
Com isso, questionava-se se algum dia atingiria seus objetivos e seus sonhos. Por vezes, sabia que sim; em outras, pensava no não. Trocara alguns no escuro e passou a desejar outros, em terras mais longes, para quem sabe viver o fim. Mas um deles era constante e certo: queria existir, queria ir ao baile.
"Porque acabou-se o que era doce virou sal
O mundo continua indo e vindo, é natural."
sábado, 8 de março de 2008
bilhete... conversa...
- Você estava me enrolando para dizer como está seu coração...
E então? Como ele está?
- Bem... Meu coração está... Como disse o pecado meu coração está caindo em tentação, tendo algumas recaídas. Mas ele já sabe o que pode e o que vai acontecer hoje. Deus ainda me livra do Mal do Século.
- E o que ele sabe que vai acontecer hoje?
E porque “pode acontecer”? O que não poderia?
- Sabe que não vai acontecer mais nada, e nem pode. Não poderia acontecer mais nada.
- Por que não poderia? Por que você não pode ceder a tentação?
- Porque não envolve só a mim. Envolve um outro coração despedaçado.
- E daí? É só juntar os cacos... He He He... Mas, falando sério, do jeito que você falou, parece que você é que não pode por algum motivo obscuro. Porque até agora ficou estranho e meio confuso o seu motivo para terminar. Mas vamos tentar ser objetivos: Você ainda gosta dela?
- Não dá para juntar os cacos. Eles foram levados pelas lágrimas amargas, doloridas e que carregam saudades. Os cacos são areias levadas pela chuva que caíram nos rios, foram sendo levadas para o mar e se perderam na imensidão.
Como eu já disse, recaídas temos, mas não podemos nos jogar. E gostar, gostar mesmo, de perder o chão, ir às nuvens, quase ter um treco, NÃO. Pode ter ainda alguma coisa, mas acho que está ruindo. De novo como as areias em uma encosta que saltam para o fundo do oceano. E sinceramente, acho que preciso sair de lá do fundo. Preciso ir às nuvens, tirar os pés do chão como diz a minha amiga Maria Rita:
“... você me tirou pra dançar/ sem nunca sair do lugar / sem tirar os pés do chão / sem música pra acompanhar...”
Preciso de alguém.
PRECISO ME APAIXONAR.
"Nosso sonho
Se perdeu no fio da vida
E eu vou embora
Sem mais feridas
Sem despedidas
Eu quero ver o mar
Eu quero ver o mar
Eu quero ver o mar
Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música
Se lembrar dos tempos
Dos nossos momentos
Lembre da nossa música
Música"
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Início e Fim (na mesma)
E ele era chegado a fins e a começos.
Fim de ano, fim de mês, fim de dia, fim de aniversário.
Gostava das coisas na sua cadência... no seu ziriguidum... no seu ritmo.
E com cada passo nessa toada tentava encontrar a si mesmo para que assim pudesse aprender e, no fim, viver.
Conseguiria?
Essa pergunta soava dentro da cabeça..., do coração... do anseio... da razão.
Era engraçado se deparar com aquilo que sempre quis e continuar querendo. Dizem que assim é o verdadeiro gostar. Parecia assim ter cumplicidade com o gigante, com a civilização que encontra. Não seria devorado. Talvez aos moldes de Tarsila; Seria quase uma fusão.
Nesta, como por vezes fez em outros lugares, buscava o seu destaque, mas também o seu estar só na multidão e se confundir nela. Esta última não era difícil rodeado de 10 milhões de pessoas. 10 milhões....
"Quantos zeros tem nisso?"
"Zeros não, Um. Cada zero é um."
Mas já a primeira opção.... DESTAQUE.
Iria atrás, atrás de seus sonhos e planos.
Por vezes acreditava que era melhor não fazer planos pra você, mas persistia no “erro” e continuava.
Como já ouvira:
“Engraçado; você faz seus planos improváveis e inesperadamente eles dão certo.”
Nem ele sabia como isso acontecia.
Simplesmente..., acontecia.
A única coisa que entendi era que tinha ajuda de um grande companheiro que sempre o auxiliara mandando alguns recados.
Como sempre, se deparara com as epifanias da vida. E no seu modo analítico, as percebia.
E no fim de tudo,
Aprender - Conseguir - Viver
"You live you learn
You love you learn
You cry you learn
You lose you learn
You bleed you learn
You scream you learn
You grieve you learn
You choke you learn
You laugh you learn
You choose you learn
You pray you learn
You ask you learn
You live you learn"
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
nostalgia x você
No caminho, cruzei com um casalzinho. Fizeram me voltar alguns anos e desejar não ter que acordar cedo no dia seguinte, não ter que ir trabalhar e todo o resto de uma vida atribulada e corrida, desejar também ter aprontado mais e aproveitado certas outras coisas da vida.
É... talvez eu deveria ter feito algumas coisas diferentes. Aproveitado outras, arrependido me de tantas outras. Sim, eu devia ter feito diferente.
É... mais uma vez a nostalgia bate a porta e me pega desprevenido. Invade e deixa aquele gosto de guarda chuva com saudade na boca; gosto de quem ficou só na vontade atrás da janela, atrás do vidro, quando aquela chuva de verão desabou sobre a cidade.
Mais alguns passos e a velha conclusão bate:
“Somos a soma de todas as coisas que fizemos.”
O passado vai nos construindo e nos deixa assim... como somos hoje. Todos os fatos, os atos, os nãos, os sims, os talvez fazem sermos exatamente como somos.
E se mudarmos um ponto lá trás?
O bater de asas de uma borboleta mudaria tudo.
E talvez assim, não teria conhecido você.
É... talvez seja melhor ser assim mesmo.
"Enquanto a vida vai e vem
Você procura achar alguém
Que um dia possa lhe dizer
-Quero ficar só com você"
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Deste modo.
Olhando... Perscrutando...
Encarando. No fundo dos olhos.
Racional?
Não; Analista.
Por vezes, até sua respiração ficava mais lenta. Acompanhava os movimentos a sua volta e tentava saber qual seria o próximo.
Estava preste a voltar a sua selva.
Selva de pedra.
Perscrutava corações e intenções, e assim tentava entender não só que o passava ao seu redor, mas também o que passava dentro dos que estavam a o cercar e ainda dentro de si mesmo.
Outras vezes, silenciara se a tal ponto que nem notavam sua presença. Assim via o que faziam quando se achavam sozinhos. Mais um modo de análise.
Ainda outras, mesmo em silêncio, sua presença era marcante, sufocante, quase mortal – mas queria que permanecessem vivos e sabendo o que tinham ao seu lado.
Rodeava o que observava. Lentamente; para provocar o velho frio na espinha.
Encurtava suas garras, mas elas poderiam dilacerá-los a qualquer instante, quando quisesse.
Não atacaria. Sabia da força que tinha e controlava a minuciosamente sabendo a hora de lentamente arrepiar se e mostrar seu poder, sua dominância.
Atento. Nada passava sem ser percebido.
Exatamente assim.
A cada suspiro. A cada ação. A cada passo. A cada respirar.
"I’ll be watching you."
sábado, 19 de janeiro de 2008
Será que podemos saber de alguma forma o que ainda está por vir?
Eu não quero controlar o futuro. Sei que tem alguém bem mais capaz disso, alguém que sabe o que é melhor pra mim, alguém que chamam de Deus.
O que eu queira era saber: Quais chances voltarão? Como (e se) eu posso influenciar o futuro? E se eu tomar a decisão e sair? Quais fatos mudarão pela minha atitude? E o que eu deixarei de fazer só por causa da mera atitude?
O Futuro, esse caminho que a Deus pertence, é tão incerto quanto misterioso.
Eu nem sei se até o final do texto estarei vivo. Por isso alguns dizem que nada deve ser deixado pra depois. Mas a vida é feita de decisões. E qual tomar?
O que já passou, aquela decisão que considero errada, será que a mesma situação, ou quem sabe parecida, voltará e eu poderei tomar a decisão “certa”?
Quantas coisas que não fiz e que queria ter feito. Quantos caminhos que os olhos virão, mas os pés não tocaram porque a mente mandou: “Não vai, o outro é melhor.”
Será que foi?
Essa pergunta nunca será respondida e é isso que corrói e destrói. A dúvida mata mais que a própria morte porque faz com que o vivo não viva.
Como disse Bandeira:
“A vida inteira que poderia ter sido e que não foi”.
O “Não ser”, ou melhor, “não saber” desfaz o vivo e o torna muito mais morto do que carnes frias que jazem embaixo da terra.
“embora quem quase morre ainda esteja vivo, quem quase vive já morreu.”
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Clarice na Vida
Às vezes é difícil acreditar que as coisas acontecem por acaso.
O Acaso sugere uma imprevisibilidade, uma idéia que as coisas simplesmente... aconteceram.
Mas para tudo há uma explicação. Está tudo ligado, encadeado. Tudo, exatamente tudo, tem um significado. Talvez algo machadiano na vida.
É... Machado tinha razão.
Mas Clarice também tinha.
E o que intriga é a epifania que ronda, e não é percebida.
Esta que se escuta por ai.
Músicas saltam ao ouvido e, displicente e inocentemente, acredita-se que o gostar seja mera simpatia. As músicas que escuta, traduz quem a escuta, a cada um. Entendem mais do que o próprio que escuta. Mostram o que há para se ver dentro de si, o que você espera de você, o que querer para você. Mostram um eu que o mesmo não conhecia.
Coincidência???
Acaso???
Não é possível...
Por mais que ele nos proteja enquanto andemos distraídos.
Tudo bem... Pode ser o subconsciente ou qualquer amigo de Freud ou Nietzsche. Mas que existe um porquê, isso não há como negar.
É simplesmente impossível acreditar que essa seqüência de my all, aquilo que você faz, ainda bens, segredo de longe, don’t know why, heróis precisando ser salvos, you’ll be in my hearth, gastar toda sua vida, todo seu tempo esperando por aquela segunda chance, último choro, sangrar para estar vivo, tempestades passageiras, sweet surrender, invejosos,... - e a lista se estende ainda por longos caminhos - seja simplesmente acaso.
Preste atenção.
Simplesmente perceba.
Escute.
E ainda o que fica no ar, é saber quando seremos, Burrinho; quando seremos abandonados pela Glória, e expulsos do Olimpo; Quando ouviremos o sino. Qual é nossa Vez, Clarice; Qual será a Hora, Matraga.
Afinal, quem não gosta de parafusos?
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
bleeding
"And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah, you bleed just to know you're alive"
-
(Goo Goo Dolls - Iris)
dor e necessidade
Apesar de ser dolorido e o corroer, era algo que precisava.
Era mais vital do que ele achava e acreditava ser.
Pode chamar de nostalgia, pois talvez realmente fosse isso. Mas ele não queria deixar aquilo para trás. Pendurava-se em cada lembrança para que pudesse ainda ter aquele gosto de mel e de fel; mesmo que fosse ilusão. Agarrava-se as músicas, as memórias, aos pensamentos.
Ainda mais em datas como estas que sonhara viver ao seu lado.
Ele adorava o futuro, mas odiava viver neste e não saber a maldita data.
Por mais que doesse, precisava ter aquela ferida aberta em si. Por vezes, rasgava a própria pele para que aquilo estivesse por ali. Na verdade, dilacerava na maioria das vezes.
Enfiava suas facas devagar.
Lentamente.
Revivendo o não-vivido.
Deixava o sangue, as lágrimas, e as memórias rolarem para que permanecesse com o coração batendo dentro de si, mesmo que fosse somente mais um sopro de não-vida. Por mais contraditório que fosse, talvez a dor que o mantivera vivo em meio à solidão.
Depois das vezes que tentou sair e não conseguira, descobriu que aquela seria sua zona de (des)conforto eterna. A (in)segurança que sentia ao estar ao seu lado era fôlego e súplica para as horas de desespero.
Mas apesar disso, não seguiria o conselho. Não podia gastar toda sua vida, todo seu tempo esperando por aquela segunda chance.
"Não vou viver como alguém que só espera um novo amor. Há outras coisas no caminho onde eu vou."
Viveria.
E ansiosamente esperaria a chance que suas vidas se cruzassem novamente para viverem tudo que não tiveram, a parte que não tiveram, as experiências que não tiveram, o amor que sentiram, mas não tiveram.
"Vou deixar a rua me levar, ver a cidade se acender. A lua vai banhar esse lugar e eu vou lembrar você."
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Adeus ou Até Logo?
Faz tanto tempo que eu não escrevo aqui. Tanto coisa pra falar, contar, desabafar. Mas essa espera tem um motivo.
O próximo post tinha que ser este.
E você não sabe o quanto ele dói. O quanto dói pensar e saber que, por agora, é o fim. Confesso que espero sinceramente que nossa história não tenha terminado agora; não assim; não desse modo.
Como dizem por ai: “Às vezes a distância ajuda, e essa tempestade um dia vai acabar.”
Talvez eu admita a minha culpa, mas não é hora de tentar achar culpados. O fato é que estamos aqui, talvez na pausa da nossa história, na minha Casa do Lago. Mas talvez também, pensar em Pausa seja só uma maneira de diminuir minha dor.
Lembro como essa história começou. Já faz tempo, um pouco menos de 2 anos.
Você entrou ali, e eu, contemplativamente, te olhei. São uma daquelas cenas da vida que tudo para. Você como sempre linda e eu ali só olhando. Me fez perder o ar e a distração fora mera conseqüência. Tive que retomar os sentidos e me recuperar.
A cena seguinte desse filme foi numa manhã ensolarada, cena de cotidiano, numa cozinha qualquer. Mais uma vez, você, de maneira estonteante, cruzara meu caminho. Como pode um sentimento fazer tudo isso com a gente, Estrela, como pode?
As coisas foram acontecendo, fomos nos conhecendo e eu precisava de certezas. Mas nem sempre as temos na vida.
Apesar de tudo, de como acontecera tudo, do que isso me fez... te fez..., viveria tudo novamente. As horas, as sensações, experiências vividas com você me fizeram bem. Era um suspiro no dia, um fôlego para semana, o sonho dos fins de semana.
“Só quero te lembrar de quando a gente andava nas estrelas, nas horas lindas que passamos juntos. A gente só queria amar e amar, e hoje eu tenho certeza: a nossa história não termina agora, porque essa tempestade um dia vai acabar”
Queria ter vivido tudo, ter bebido a garrafa toda e inteira. Mas acredito que não tive como abri-la e ela ficou repleta do poderíamos.
Ainda não sei se será um “Até logo” ou um “Adeus”. Como já disse: “Só o tempo vai dizer o que pode acontecer, se a gente vai se achar ou se perder”. Não quero enxergar isso como o fim, como o Adeus; não posso fazer isso comigo, com nós. No entanto, o Até logo possa ser somente esperança remota no coração de um desiludido.
Assim, prefiro terminar com um até, deixando todas as possibilidades em aberto. O talvez se assim existir a volta de nossa história.
Até, Estrela.
“Eu faria tudo pra não te perder assim.
Mas o dia vem...
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Não quero uma prostituta travestida
em professora de piano
Acho que não quero você pra vida toda,
mas que sabe por um dia, um mês, um ano
Quero apenas um beijo seu, mas que
ele não seja tão profano
Queria que você também me desejasse
e que ao pedir um beijo, pudesse, por muito mais de única uma vez,
sentir sua boca a minha cortando
(Espero que tudo que sinto não seja mero engano)
Mas parei de tentar me entender, pois
minha mente me confunde sempre martelando:
UM ANO, DESEJANDO, PROFANO, ENGANO.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
fim
A neblina encobria a cidade e aquela chuva, típica de Londres, insistia em estar ali.
As gotas desabavam do céu. Os pings da chuva misturavam-se aos tocs dos sapatos que passavam apressados.
Ele não entendia aquela pressa. Tudo que queria era que aquele momento durasse. Sabia que era o último. Essa sensação o consumia, mas tinha que resistir para guardar tudo dentro de si.
A bruma encobria o distante, e os prédios, com seus tijolos aparentes, também faziam parte daquele triste fim de tarde.
Esta era a hora do fim e ele tentava postergar.
Não teve coragem de perguntar se ela sentia o mesmo. Gostaria de ler isso em seus olhos, mas o que vira era o mistério que por vezes esteve ali.
As mãos dadas foram lentamente deixando de se tocarem, até que ficaram distantes e repletas da ausência que permeava as ruas londrinas. Fechou os olhos e tentou guardar todas as sensações dentro de si. Sentiu o cheiro do ar, a leve brisa que passara pelo local, as gotas que tocavam seu rosto. Reviveu o último toque naquela pele. Percebeu o coração dentro de si batendo a dor que palavras jamais poderiam traduzir.
Ao abrir os olhos, ela já estava a alguns passos dele. Uma lágrima escorreu e misturou se as gotas de chuva.
Ela foi andando e ele ficou ali, parado, estático, extático, só observando o fim.
Devido a neblina, a cada passo que ela dava, ele podia ver um pouco menos. Ela já se mistura a neblina e parecia um vulto bom que se fora.
Ameaçou dar alguns passos mas sabia que não podia. Ficou ali a observar. Ela andava e todo o passado era deixado pra trás. Chegou o momento que seus olhos não a encontravam no meio do nevoeiro, e o que restara era o som dos sapatos cada vez mais longe. Mas chegou o momento que estes também não puderam ser mais ouvidos, e o silêncio tomou conta da situação.
Era o fim.
Queria que ela não fosse o vulto que seus olhos viram a pouco. Preferia o real que viveram nas luzes de Paris, nas praças de Praga, nos cafés de Viena e Budapeste, e as margens do Tâmisa.
Cena da Velha Inglaterra
Os pings da chuva que desaba do céu misturam-se aos tocs dos sapatos apressados.
A neblina encobre os prédios de tijolos e permeia as ruas de Londres.
Cena perfeita para morrer, ou ter um romance (na mesma)
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
ínício
sim...
eu....
criei um blog.
meus próprios pensamentos, meus próprios devaneios, frutos de uma mente que pensa demais e nunca pára, enfim, estarão na internet.
como já ouvi por ai, simplesmente escrever, seja num blog, seja numa folha em branco é um "exorcismo diário" que precisamo ter. é algo q faz bem.
algumas vezes já coloquei isso tudo num papel, mas infelizmente foram poucas as vezes. espero que aqui isso ocorra mais vezes.
mais exorcismos,...
mais pensamentos, ...
mais papel.
como acabei de ler (http://dwd3.blogspot.com/), algumas perguntas surgem. e por coincidência (será mesmo?), estas expressam exatamente o que sinto agora.
"será que fiz a escolha certa?
para onde será eu devo ir?
por onde eu devo começar?"
estas são dúvidas que tenho agora. mas parte das respostas já surgem lá dentro e no tela também. fiz a coisa certa.
e este será apenas um começo, muita coisa ainda vem por ai.
muitos pensamentos e o que tiver que vir.
tenho q ir
até
até o próximo post