Cena da Velha Inglaterra.
A neblina encobria a cidade e aquela chuva, típica de Londres, insistia em estar ali.
As gotas desabavam do céu, e os pings da chuva misturavam-se aos tocs dos sapatos que passavam apressados.
Ele não entendia aquela pressa. Tudo que queria era que aquele momento durasse, pois, sabia que era o último. Essa sensação o consumia, mas tinha que resistir para guardar tudo dentro de si.
A bruma encobria o distante, e os prédios, com seus tijolos aparentes, também faziam parte daquele triste fim de tarde.
Esta era a hora do fim e ele tentava postergar.
Não teve coragem de perguntar se ela sentia o mesmo. Gostaria de ler isso em seus olhos, mas o que vira era o mistério que por vezes esteve ali.
As mãos dadas foram lentamente deixando de se tocarem, até que ficaram distantes e repletas da ausência que permeava as ruas londrinas. Fechou os olhos e tentou guardar todas as sensações dentro de si. Sentiu o cheiro do ar, a leve brisa que passara pelo local, as gotas que tocavam seu rosto. Reviveu o último toque naquela pele. Percebeu o coração dentro de si batendo a dor que palavras jamais poderiam traduzir.
Ao abrir os olhos, ela já estava a alguns passos dele. Uma lágrima escorreu e misturou se as gotas de chuva.
Ela foi andando e ele ficou ali, parado, estático, extático, só observando o fim.
Devido a neblina, a cada passo que ela dava, ele podia ver um pouco menos. Ela já se mistura a neblina e parecia um vulto bom que se fora.
Ameaçou dar alguns passos mas sabia que não podia. Ficou ali a observar. Ela andava e todo o passado era deixado pra trás, mas chegou o momento que seus olhos não a encontravam no meio do nevoeiro, e o que restara era o som dos sapatos cada vez mais longe. E então chegou o momento que estes também não puderam ser mais ouvidos, e o silêncio tomou conta da situação.
Era o fim.
Queria que ela não fosse o vulto que seus olhos viram a pouco. Preferia o real que viveram nas luzes de Paris, nas praças de Praga, nos cafés de Viena e Budapeste, e as margens do Tâmisa.
Cena da Velha Inglaterra
Os pings da chuva que desaba do céu misturam-se aos tocs dos sapatos apressados.
A neblina encobre os prédios de tijolos e permeia as ruas de Londres.
Cena perfeita para morrer, ou ter um romance (na mesma)