sábado, 11 de outubro de 2008

com a noite chegando ao fim

Mais de seis meses de silêncio.
Nem nos pólos as noites são tão escuras como fora este período. Ele se trancara em si e vivia a vida que insistia a passar.
E muita coisa aconteceu nestas noites. Fins,... conquistas,... novas fases,... meses primos,... atos atrasados de anos atrasados, quem sabe três,... e alguns que até mesmo ele não sabia como juntara força e audácia para seguir.
Estar no escuro, não se exorcizar, talvez fosse à maneira de fingir que tudo estava em seu controle, ou até mesmo que não aconteciam. Mas, no fundo, ele sabia que tudo era apenas uma maneira de se enganar. O fato de não extravasar tornara as coisas menos pior. Mas era pura ilusão. Devia ter aprendido com os céus, que exibiam o externo. Neste período chegou a contestar o quanto da sua vida não era só e meramente isso, ilusão.
Após partir um coração, viu se numa cozinha tentando falar sobre o que três anos não conseguiram. Depois, as lágrimas desabaram e questionou até mesmo as voltas do mundo, suas vontades, seus momentos de cegueira, o que era tudo aquilo... e concluiu que poderia ser tudo tolice, sua tolice. Perguntou interminavelmente o porquê dos porquês, mas não obtivera resposta. E talvez nunca as tivesse. Mas, acompanhando o seu lado último do litoral, acabava entrando sempre sem querer na sua vida, e parecia que não teria nada, se não tivesse. O mundo era incompleto e tinha gosto de mel e fel.
Encontrara partes do dar certo, mas também seu slogan: a eterna busca por existir.
Com isso, questionava-se se algum dia atingiria seus objetivos e seus sonhos. Por vezes, sabia que sim; em outras, pensava no não. Trocara alguns no escuro e passou a desejar outros, em terras mais longes, para quem sabe viver o fim. Mas um deles era constante e certo: queria existir, queria ir ao baile.

"Porque acabou-se o que era doce virou sal
O mundo continua indo e vindo, é natural."