She might cry only if I am by her side, because, if the tears roll down on her face, I must stay there to dry it.
So, I ask to you:
Don't cry when I'm not here, because I'm breaking my heart, if you're crying anywhere and I won't be there.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Equilibrista da vida
Por vezes a vida lhe entregava tempestades, por vezes, calmaria.
Como já ouvira, situações que traziam desconforto a ele, afectavam seu humor e tiravam seu equilíbrio. Ele sempre vivia nas pontas dos pés. E, mesmo tentando se equilibrar, seus ventos internos tiravam-lhe o prumo. Estas tempestades poderiam ser mais devastadoras que as externas.
Mas ele tinha tomado tento com o coração.
Ele ganhara um coração e um bocado de altares. Assim, ganhou ritmo e subiu ainda mais alto. Virou equilibrista e, ainda que não possuísse seu chapéu-coco e nem a garrafa de bêbado (desse só conseguira a fama), se aventurara em linhas diversas.
Sempre gostara de alturas e altares.
Mais quando se encontrou bem depois do meio da travessia, lembrou-se de ventos e tempestades. A ausência causou o caos e nunca ventos foram tão fortes. Estava no alto-altar, e rede de protecção a vida não lhe oferecia. Algumas situações na vida não vêm com prazo de validade, nem o famoso ”puxe-aqui”. Flutuava no céu de estrelas, mas ainda possuía seu ponto de apoio sob os pés.
E mesmo sem cais, encontrou um Porto, mesmo sem ter onde aportar.
Então pode também se lembrar de conselhos antigos:
"Esse é o pulo do gato: tirar leite de pedra, ou seja, ter equilíbrio e se sair bem no caos (enxergar oportunidades), porque em situações favoráveis todo mundo é igual."
Ele não era igual. Nem a situação. Nem o altar.
Nada mais era.
E no breu de hoje, sentia que o tempo da cura poderia tornar a tristeza normal. Há situações que marcam. Seu medo era o quão fundas elas poderiam ficar.
Eram tantas marcas que já faziam parte. Não sabia mais o que era parte, o que era ele.
Mas isso era a vida, altares, o fio de ser equilibrista.
Sem mais, a vida ia a passar no vazio e a estava com tudo a flutuar no rio esperando respostas.
Respostas da vida, respostas que ele mesmo construiria.
"A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar..."
Como já ouvira, situações que traziam desconforto a ele, afectavam seu humor e tiravam seu equilíbrio. Ele sempre vivia nas pontas dos pés. E, mesmo tentando se equilibrar, seus ventos internos tiravam-lhe o prumo. Estas tempestades poderiam ser mais devastadoras que as externas.
Mas ele tinha tomado tento com o coração.
Ele ganhara um coração e um bocado de altares. Assim, ganhou ritmo e subiu ainda mais alto. Virou equilibrista e, ainda que não possuísse seu chapéu-coco e nem a garrafa de bêbado (desse só conseguira a fama), se aventurara em linhas diversas.
Sempre gostara de alturas e altares.
Mais quando se encontrou bem depois do meio da travessia, lembrou-se de ventos e tempestades. A ausência causou o caos e nunca ventos foram tão fortes. Estava no alto-altar, e rede de protecção a vida não lhe oferecia. Algumas situações na vida não vêm com prazo de validade, nem o famoso ”puxe-aqui”. Flutuava no céu de estrelas, mas ainda possuía seu ponto de apoio sob os pés.
E mesmo sem cais, encontrou um Porto, mesmo sem ter onde aportar.
Então pode também se lembrar de conselhos antigos:
"Esse é o pulo do gato: tirar leite de pedra, ou seja, ter equilíbrio e se sair bem no caos (enxergar oportunidades), porque em situações favoráveis todo mundo é igual."
Ele não era igual. Nem a situação. Nem o altar.
Nada mais era.
E no breu de hoje, sentia que o tempo da cura poderia tornar a tristeza normal. Há situações que marcam. Seu medo era o quão fundas elas poderiam ficar.
Eram tantas marcas que já faziam parte. Não sabia mais o que era parte, o que era ele.
Mas isso era a vida, altares, o fio de ser equilibrista.
Sem mais, a vida ia a passar no vazio e a estava com tudo a flutuar no rio esperando respostas.
Respostas da vida, respostas que ele mesmo construiria.
"A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar..."
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Sensações da noite
Era até difícil de respirar. O ar não entrava nos pulmões.
Por mais que ele puxasse com toda força o ar para dentro, ele não entrava. Quase perguntou se ainda sabia fazer aquilo ou se já tinha perdido o sentido.
Mas os sentidos ainda estavam ali, todos a flor da pele aflorando com tanta intensidade que nem podia perceber tudo que estava por acontecer e o rodear.
Era nó na garganta, o estômago colado nas costas, o vômito praticamente na boca, os dentes mais do que cerrados, mandíbulas travadas, as mãos trêmulas, o grito que não lhe saía da garganta, os olhos cheios de lágrimas que não escorreriam e o velho questionar dos porquês. Sim, este sempre estava ali.
Mais do que nunca as palavras passadas que um amigo lhe falara ecoaram tanto dentro de sua cabeça. Era o passado que fora transformado em presente:
Amigo diz:
a cara .. isso é cruel mesmo....
e justo agora
sei que vc quer os porque.. todos os porques
imagino o q passa na sua cabeça.....
meu amigo inquieto.
Ele diz:
não sabia q vc me conhecia tanto assim
Amigo diz:
Eu sei como vc é
eu tb .. fui assim
a gente é inconformado com a vida
Ele diz:
Meu Deus, vc me conhece mesmo
mas é exactamente isso
eu já questionei sobre isso mais de milhões de vezes. Mas em nenhumas delas eu cheguei a me lamentar, preferi viver.
E viver doía. Ele sabia disso.
Não entendia o que passava dentro dele mesmo, e talvez nem tivesse importância, pois tentava entender o que se passava a léguas dali, naquele local que sempre roubara o seu pensamento e sua alma.
Era pré-ocupado, e já tinha seu destino cravado na pedra se encontrasse-se só.
Largaria tudo e se afogaria... no trabalho, na ambição. Tinha certeza que esta seria a única maneira de voltar a respirar se perdesse a alma. E isso não doeria mais, nunca mais.
Mas ainda tinha um fio de vida, aquele completamente contrário, que ele insistia em manter dentro de si. Ele se preocupava e queria bem.
Poderia sentir raiva, vontade de odiar, de expulsar da vida, de exorcizar e também mandar para os diabos…, mas não conseguia, e nem queria, e nem tinha vontade. Queria sempre perto, mais perto do que a própria carne, mais dentro que a própria alma.
Era das poucas coisas que ele não tinha explicação, mas também não as queria.
Já tinha tomado as próprias decisões para isso. É como dissera em cafés gelados: Dilaceraria a própria pele para isso. Ele gostava de ver o próprio sangue correr. Já tinha vivenciado algo assim, mas desta vez nem queria mais continuar vivo se as coisas não fossem assim. O sangue correr para fora do corpo lhe traria vida. Ele tinha amor, e tinha uma vida.
Lembro da epifania e entendeu o que a maldita que chegara a pouco a seus ouvidos queria lhe dizer. Era exactamente aquilo: era um, mas era diferente. Era o melhorar, mas poderia ser somente ali. Não sabia se tinha desapontado ou se tinha deixado um gosto ruim na boca. Sabia que não poderia levantar os mortos, nem mesmo se estes fossem ele. Sempre questionava-se se era pedir demais, mais do que o possível. Sabia que deixaria, se não fosse cuidado. E, por isso, tentava até a última gota. Mas o amor era um templo, era a maior lei.
Traduzia-o, como nunca o traduzia.
Era o seu suplicar para que o traduzisse.
Uma vida, mas não era igual.
“One love, one blood, one life, you got to do what you should.”
Por mais que ele puxasse com toda força o ar para dentro, ele não entrava. Quase perguntou se ainda sabia fazer aquilo ou se já tinha perdido o sentido.
Mas os sentidos ainda estavam ali, todos a flor da pele aflorando com tanta intensidade que nem podia perceber tudo que estava por acontecer e o rodear.
Era nó na garganta, o estômago colado nas costas, o vômito praticamente na boca, os dentes mais do que cerrados, mandíbulas travadas, as mãos trêmulas, o grito que não lhe saía da garganta, os olhos cheios de lágrimas que não escorreriam e o velho questionar dos porquês. Sim, este sempre estava ali.
Mais do que nunca as palavras passadas que um amigo lhe falara ecoaram tanto dentro de sua cabeça. Era o passado que fora transformado em presente:
Amigo diz:
a cara .. isso é cruel mesmo....
e justo agora
sei que vc quer os porque.. todos os porques
imagino o q passa na sua cabeça.....
meu amigo inquieto.
Ele diz:
não sabia q vc me conhecia tanto assim
Amigo diz:
Eu sei como vc é
eu tb .. fui assim
a gente é inconformado com a vida
Ele diz:
Meu Deus, vc me conhece mesmo
mas é exactamente isso
eu já questionei sobre isso mais de milhões de vezes. Mas em nenhumas delas eu cheguei a me lamentar, preferi viver.
E viver doía. Ele sabia disso.
Não entendia o que passava dentro dele mesmo, e talvez nem tivesse importância, pois tentava entender o que se passava a léguas dali, naquele local que sempre roubara o seu pensamento e sua alma.
Era pré-ocupado, e já tinha seu destino cravado na pedra se encontrasse-se só.
Largaria tudo e se afogaria... no trabalho, na ambição. Tinha certeza que esta seria a única maneira de voltar a respirar se perdesse a alma. E isso não doeria mais, nunca mais.
Mas ainda tinha um fio de vida, aquele completamente contrário, que ele insistia em manter dentro de si. Ele se preocupava e queria bem.
Poderia sentir raiva, vontade de odiar, de expulsar da vida, de exorcizar e também mandar para os diabos…, mas não conseguia, e nem queria, e nem tinha vontade. Queria sempre perto, mais perto do que a própria carne, mais dentro que a própria alma.
Era das poucas coisas que ele não tinha explicação, mas também não as queria.
Já tinha tomado as próprias decisões para isso. É como dissera em cafés gelados: Dilaceraria a própria pele para isso. Ele gostava de ver o próprio sangue correr. Já tinha vivenciado algo assim, mas desta vez nem queria mais continuar vivo se as coisas não fossem assim. O sangue correr para fora do corpo lhe traria vida. Ele tinha amor, e tinha uma vida.
Lembro da epifania e entendeu o que a maldita que chegara a pouco a seus ouvidos queria lhe dizer. Era exactamente aquilo: era um, mas era diferente. Era o melhorar, mas poderia ser somente ali. Não sabia se tinha desapontado ou se tinha deixado um gosto ruim na boca. Sabia que não poderia levantar os mortos, nem mesmo se estes fossem ele. Sempre questionava-se se era pedir demais, mais do que o possível. Sabia que deixaria, se não fosse cuidado. E, por isso, tentava até a última gota. Mas o amor era um templo, era a maior lei.
Traduzia-o, como nunca o traduzia.
Era o seu suplicar para que o traduzisse.
Uma vida, mas não era igual.
“One love, one blood, one life, you got to do what you should.”
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Telhado de Vidro
E ele já brigara demais com ela. Talvez isso fizesse menos tempo do que ele achava, mas ele percebia tais situações presentes num passado distante. Não no passado que caia no campo do esquecimento, mas sim naquele das coisas que fez você crescer e se tornar o que é hoje. Sim, ela tinha feito ele crescer. Era uma das responsáveis por isso.
E hoje, orgulhava-se por tê-la ao seu lado.
Mas não foi sempre assim. Deve ser uma daquelas coisas de seres mais novos que percebem tardiamente certas situações. Seres que, por virem depois, teoricamente recebem a protecção maior e trazem também inveja e ciúmes aos demais.
Mas, dependendo das idas e vinda da vida, e na vida deles tinha bastante disso, estas fazem exactamente por ampliar a protecção, e a inveja e ciúmes caem sim no campo do eterno esquecimento. Por vezes esse proteger pode se amplificar e nem sempre é bem visto por aqueles mais novos. Deve ser aquela história de boa intenção…
E algumas das brigas foram exactamente por isso. Mas estas já passaram.
E tanto estas, quanto todas vivências que ele teve foram sempre, de alguma forma, a seu lado. Ela sempre esteve ali desde que nascera, e ela sim teve que se acostumar com a sua presença. Ela já fazia parte do mundo quando ele chegou, e, por vezes, foi o mundo onde pode se abrigar.
Hoje, mostravam-se cada vez mais unidos. Ela conhcecia alguns dos seus telhados de vidro. A cumplicidade por dividir experiências e todas outras situações da vida os ligavam. E ele sabia que isso neles era especial; que nem sempre estes laços eram assim. Mesmo a idade foi algo que ele agradeceu por perto ser.
Desejou que fosse assim com os seus.
O amor e o ódio, se assim pode se dizer, eram das emoções que lhe afloravam a pele. Mas ele sabia que sempre existira somente o amor por dentro.
Ele sempre agradeceria a ela; sempre.
E depois de muito tempo, em terras distantes, quando lhe faltavam as palavras, ele percebeu que ela era seu Telhado de Vidro:
Protegia-o; mas, no entanto, permitia-o ver os céus.
domingo, 11 de outubro de 2009
Identificação paradoxal
Era totalmente estranho ser completamente parecido e completamente diferente ao mesmo tempo. Era o paradoxo ao extremo, mas o uníssono até o último toque. Era o complementar e também o antagónico. De maneira diferente, o mesmo lado de um imã no qual os pólos também poderiam se atrair, e não havia distracção. Eram o normal e o avesso sem mais nem porque. Nem young e yang eram tão juntos e tão diferentes.
No entanto, acima de tudo, poderiam ser juntos, se assim desejassem. Desafiariam o pra sempre que sempre acaba, a racionalidade, os quatro ventos e tudo mais que estivesse no outro time. Tinha sido assim desde o início e não seria agora que seria Diferente por este sempre estar neles.
Mais uma vez teriam que desdenhar do tempo e das distâncias, desafiar mais do que meros gigantes; desafiariam os gigantes de Celta, dos Balcãs e da Sicília. E ainda pior, seus próprios gigantes, até mesmo aqueles que acabavam por uni-los. Mas venceriam todas lutas, batalhas e guerras.
Seguiam as pistas com toda incerteza para continuarem felizes a mesa. E a cada dia a decisão estaria por assim cumprir o seu papel por serem mais do que a soma de Diários e Buttons fazendo brotar a força que parecia vir de lugares nunca antes presentes.
Parou, olhou os céus e a lua, e perguntou se ela também pensava nele. Teve a certeza do sim.
Mesmo os pensamentos mostravam a proximidade e junção, apesar dos paradoxos. Não importando as léguas de distância que insistiam por separá-los, em mesmo dias, os pensamentos caminham no mesmo sentido e direcção.
Eram a associação, a soma, o politicamente incorrecto (nunca agradeceu tanto por isso), a vontade e tudo que assim desejassem para estarem juntos.
E o intenso pelo viver estava em cada lado, talvez o ponto que logo de cara os uniu de maneira que nem eles mesmo entenderam. E o seguir o coração também estava de cada lado, e foi mais um dos responsáveis da aproximação. Talvez o maior responsável. Mas não necessariamente o mais importante, pois este é difícil de se ver com tantos picos e vales.
Mas ficariam juntos. Isto era a certeza que estava em cada lado, do mesmo lado, o do coração.
"Tonight the sky above
Reminds me of you, love
Walking through wintertime
Where the stars all shine.
The angel on the stairs
Will tell you i was there
Under the front porch light
On a mystery night."
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A voltar e vivo
Fazia mais de oito meses que ele não colocara tudo no papel, e exacto um mês que ele se deparara com as novas peças do quebra-cabeça da vida.
Neste tempo de segundo silêncio, as coisas foram um pouco diferente daquele primeiro tempo de reclusão. Desta vez viu a vida passar e agarrou cada oportunidade. Não que tudo tinha sido fácil, pelo contrário. O fácil não tinha graça, e a persistência poderia ter certa dádiva.
Com toda certeza ele diria que vivera; que o sangue correu nas veias, que pode sentir cada batimento alimentar a magnificência que é estar vivo.
Permaneceu vivo na vida: fez amigos, aprofundou certas e outras amizades, destruiu corações, desdenhou do tempo e das distâncias, descobriu amores, viajou e dirigiu como nunca, quase previu o futuro (ou assim ainda desejava), passeou no parque, chorou, teve mais conversar com a luz apagada e pode sentir ainda mais falta disso, agradeceu aos amigos por simplesmente assim serem, permaneceu atónito com o tempo que as coisas podem durar e ainda o quanto elas podem crescer em tão pouco tempo, sorriu, viveu sonhos, e pode até compartilhar um com uma grande amiga. Ganhou Vida.
Viu o mundo se abrir a sua frente e, a cada passo, tinha certeza onde chegaria sem enxergar ao certo todos os caminhos. E aquela história de qualquer caminho não se aplicava por saber o destino.
A vida passou como um trem na noite e ela tinha estrelas. Ainda bem que tinha. Era óptimo olhar o céu, sentir o vento no rosto e perceber que a felicidade estava ali. Não pela esfera momentânea que as vezes fatos isolados podem trazer, mas porque a vida sorria para ele, como sempre faz a nós, e ele sorrira para ela um sorriso cheio de dentes.
E até mesmo pelas circunstâncias que a vida lhe trouxera, estava a voltar a velhas manias pois algumas, mesmo com o tempo e pouca usabilidade, ainda permanecem, o borbulhar e fervilhar ali permanecera. (Re)fez e (re)viu os passos para saber se ainda poderia trilhar cada etapa.
O coração receoso também permanecia.
E acreditou mais uma vez que as coisas acontecem na hora que tem que acontecer. Ainda bem novamente.
Com isso, pode até agradecer aos céus, apesar de algumas vezes questioná-lo, mas sabia que Ele sempre acertara. Tinha uma coração genioso e acelerado, e até disso pode gostar em si.
O gosto da vida passara pelos lábios, e a beijaria novamente para poder ainda ter mais que um mero coração que batia dentro de si. Queria a vida vívida para permanecer no mundo pois o intenso sempre esteve nele, e ele no intenso.
Estava vivo, mais do que nunca, ainda bem, estava vivo.
“ Eu quero uma lua plena, Eu quero sentir a noite, Eu quero olhar as luzes (..)
Agora eu vou viver.”
Neste tempo de segundo silêncio, as coisas foram um pouco diferente daquele primeiro tempo de reclusão. Desta vez viu a vida passar e agarrou cada oportunidade. Não que tudo tinha sido fácil, pelo contrário. O fácil não tinha graça, e a persistência poderia ter certa dádiva.
Com toda certeza ele diria que vivera; que o sangue correu nas veias, que pode sentir cada batimento alimentar a magnificência que é estar vivo.
Permaneceu vivo na vida: fez amigos, aprofundou certas e outras amizades, destruiu corações, desdenhou do tempo e das distâncias, descobriu amores, viajou e dirigiu como nunca, quase previu o futuro (ou assim ainda desejava), passeou no parque, chorou, teve mais conversar com a luz apagada e pode sentir ainda mais falta disso, agradeceu aos amigos por simplesmente assim serem, permaneceu atónito com o tempo que as coisas podem durar e ainda o quanto elas podem crescer em tão pouco tempo, sorriu, viveu sonhos, e pode até compartilhar um com uma grande amiga. Ganhou Vida.
Viu o mundo se abrir a sua frente e, a cada passo, tinha certeza onde chegaria sem enxergar ao certo todos os caminhos. E aquela história de qualquer caminho não se aplicava por saber o destino.
A vida passou como um trem na noite e ela tinha estrelas. Ainda bem que tinha. Era óptimo olhar o céu, sentir o vento no rosto e perceber que a felicidade estava ali. Não pela esfera momentânea que as vezes fatos isolados podem trazer, mas porque a vida sorria para ele, como sempre faz a nós, e ele sorrira para ela um sorriso cheio de dentes.
E até mesmo pelas circunstâncias que a vida lhe trouxera, estava a voltar a velhas manias pois algumas, mesmo com o tempo e pouca usabilidade, ainda permanecem, o borbulhar e fervilhar ali permanecera. (Re)fez e (re)viu os passos para saber se ainda poderia trilhar cada etapa.
O coração receoso também permanecia.
E acreditou mais uma vez que as coisas acontecem na hora que tem que acontecer. Ainda bem novamente.
Com isso, pode até agradecer aos céus, apesar de algumas vezes questioná-lo, mas sabia que Ele sempre acertara. Tinha uma coração genioso e acelerado, e até disso pode gostar em si.
O gosto da vida passara pelos lábios, e a beijaria novamente para poder ainda ter mais que um mero coração que batia dentro de si. Queria a vida vívida para permanecer no mundo pois o intenso sempre esteve nele, e ele no intenso.
Estava vivo, mais do que nunca, ainda bem, estava vivo.
“ Eu quero uma lua plena, Eu quero sentir a noite, Eu quero olhar as luzes (..)
Agora eu vou viver.”
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Esperanças de quinta à noite
E esta era a vida que ele escolhera viver. Sem planos A.... B... trocar para o C...
Esperar vivendo era o que decidira. Era diferente de viver esperando, e assim, duas horas sozinho não fazia mais importância. O dia vinha chegando ao fim, e o crepúsculo trazia com a noite a benéfica esperança maldita. Era mais uma forma de enxergar que ainda poderia ter esperança.
Esperanças de quinta à noite deveriam durar para sempre.
E esta esperança mostrava que nem sempre os finais precisam ser as mil maravilhas, podendo ter espaço para as próximas fases. O tempo que demoraria a mudar de estação talvez não possuía mais a relevância que um dia tivera pela simples certeza do rumo das coisas. Apesar do futuro ser construído a cada escolha, Alice sempre tinha razão. Ainda bem que tinha. Não quisera um país das maravilhas. Ele sempre preferia o real. Fosse das ruas londrinas, fosse de qualquer cidade.
Sim, ele sabia que doía como os amigos e a vida acabam por lhe mostrar. Mas sabia que valia a pena. Era esperançoso. Re-vigorante. Re-confortante. O ar adentrava aos pulmões e o deixava leve..., como a espera, depois de fases de desespero, deveria ser.
"But still call me baby
Oh love
So call me by my name"
Esperar vivendo era o que decidira. Era diferente de viver esperando, e assim, duas horas sozinho não fazia mais importância. O dia vinha chegando ao fim, e o crepúsculo trazia com a noite a benéfica esperança maldita. Era mais uma forma de enxergar que ainda poderia ter esperança.
Esperanças de quinta à noite deveriam durar para sempre.
E esta esperança mostrava que nem sempre os finais precisam ser as mil maravilhas, podendo ter espaço para as próximas fases. O tempo que demoraria a mudar de estação talvez não possuía mais a relevância que um dia tivera pela simples certeza do rumo das coisas. Apesar do futuro ser construído a cada escolha, Alice sempre tinha razão. Ainda bem que tinha. Não quisera um país das maravilhas. Ele sempre preferia o real. Fosse das ruas londrinas, fosse de qualquer cidade.
Sim, ele sabia que doía como os amigos e a vida acabam por lhe mostrar. Mas sabia que valia a pena. Era esperançoso. Re-vigorante. Re-confortante. O ar adentrava aos pulmões e o deixava leve..., como a espera, depois de fases de desespero, deveria ser.
"But still call me baby
Oh love
So call me by my name"
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
O Sempre no Nunca
E ele se encontrava naquelas nuvens e páginas. Perder se embaixo das nuvens era se encontrar. Não só pelo mistério, sedução, o mal no bem e o bem no mal, os séculos de solidão e romantismo que se via naquelas terras, mas também pela impossibilidade que ainda persistia em rodeá-los.
Só eles sabiam o quanto isso dava nós e laços na garganta. As laçadas não sufocavam para matar, somente para tirar a força e deixar o desespero diante dos olhos.
Retirado também era o foco e tudo se tornava fosco, pois o brilho eterno permanecia tentando encontrar a lembrança. Mas ela ainda não chegara. Ele fechava olhos e podia ver o seu contorno.
Linda...,
Esplêndida...,
Bela como sempre seria a seus olhos...,
independente da forma de envelhecer.
Enxergá-la não era uma questão de esperança. Era certeza. Era a presença que podia sentir. E sabia que um dia estariam juntos desafiando o pra sempre. Perguntava, por vezes, se ela sentira também a sua presença mesmo com a distância. Anotou a pergunta para um dia fazer a ela.
Mas ela ainda não chegara. E esperar, sem planos, era a vida que teria que seguir.
Talvez soubesse a causa para tamanho vazio: Teria que seguir em frente antes ser. Era uma questão de foco, fosco, mas foco.
Um dia estaria ela em sua frente, e assim, abandonaria tudo, e seria feliz.
O tempo que isso demoraria? Esperava que não fosse tão devastador por lentamente também o roubar as forças.
E mais uma vez, teorias de vilões o fizeram se encontrar coberto pelas nuvens.
Era difícil entender como tão facilmente o que cantavam o traduzia tão plenamente. Cada palavra soava como sua, sendo só mais um ponto de encontro sob as páginas, na ausência do sol, com o fim de um belo dia, com a chegada da noite.
Sabia como se sentiam..., o que queriam cantar, as angústias e torturas interiores, o que diziam de maneira simples em conversas com bons amigos:
"Mas confesso que queria alguém.
Alguém pra ter do lado, pra ligar depois do trabalho, pra ter com quem xingar o chefe, pra ter pra quem voltar nas sextas de chuva (como vai ser amanhã); pra ficar abraçado, dormir num sábado com filme, poder rir, gargalhar, só olhar pra ela e ficar babando. Alguém pra ficar de mão dada e andar de carro junto. Abraçar e saber que é meu. Fazê-la se perder dentro dos meus olhos e dentro dos meus jogos. Seduzir, quase matar de rir, provocar até a coisa ficar mais do que perigosa, fazê-la perder o sentido e o juízo e ir com ela nisso. Alguém para poder enxugar minhas lágrimas, e meu peito ter a cabeça de quem descansar. Alguém pra dar o primeiro pedaço do bolo, escrever todas as minhas músicas, viajar seja em sonho ou de carro, dizer besteira no pé do ouvido, e ter aflição que não é mais aflição. Poder sentir e reconhecer o cheiro de manhã sem nem abrir os olhos. Ver o sol nascer e se por. Ter quem me chame de “meu, só meu e de mais ninguém”, de qualquer carinho que me faça perder o sentido e ganhar o vermelho mais envergonhado. Alguém pra rolar na grama sob a chuva, pra sentir o cheiro do cabelo, passar os lábios pelos olhos desejando boa noite, voltar depois da briga dizendo que "não consigo ficar sem nem por mais um segundo", pra olhar o mar e pensar nas bolhinhas de sabão do casamento. Pra envelhercer do lado, e ter netos depois de termos nossos filhos. Alguém que me pergunte se a roupa tá boa e que pra mim sempre estará, e que melhor ainda é se tivesse sem. Pra perder horas de sono olhando as estrelas, jogar conversa fora, dar um anel no noivado e uma flor por dia. Olhá-la e ficar admirando-a com aquele barrigão, e saber que o filho que ele espera é nosso. Alguém pro jantar a luz de vela, pra dividir os problemas e a pipoca com leite condensado. Pra dançar bem pertinho fora do ritmo ou até sem música.
Alguém assim..., que simplesmente me ame e eu ame....
Alguém...
O que é meu tá guardado."
" 'Cause without me
You got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on"
Só eles sabiam o quanto isso dava nós e laços na garganta. As laçadas não sufocavam para matar, somente para tirar a força e deixar o desespero diante dos olhos.
Retirado também era o foco e tudo se tornava fosco, pois o brilho eterno permanecia tentando encontrar a lembrança. Mas ela ainda não chegara. Ele fechava olhos e podia ver o seu contorno.
Linda...,
Esplêndida...,
Bela como sempre seria a seus olhos...,
independente da forma de envelhecer.
Enxergá-la não era uma questão de esperança. Era certeza. Era a presença que podia sentir. E sabia que um dia estariam juntos desafiando o pra sempre. Perguntava, por vezes, se ela sentira também a sua presença mesmo com a distância. Anotou a pergunta para um dia fazer a ela.
Mas ela ainda não chegara. E esperar, sem planos, era a vida que teria que seguir.
Talvez soubesse a causa para tamanho vazio: Teria que seguir em frente antes ser. Era uma questão de foco, fosco, mas foco.
Um dia estaria ela em sua frente, e assim, abandonaria tudo, e seria feliz.
O tempo que isso demoraria? Esperava que não fosse tão devastador por lentamente também o roubar as forças.
E mais uma vez, teorias de vilões o fizeram se encontrar coberto pelas nuvens.
Era difícil entender como tão facilmente o que cantavam o traduzia tão plenamente. Cada palavra soava como sua, sendo só mais um ponto de encontro sob as páginas, na ausência do sol, com o fim de um belo dia, com a chegada da noite.
Sabia como se sentiam..., o que queriam cantar, as angústias e torturas interiores, o que diziam de maneira simples em conversas com bons amigos:
"Mas confesso que queria alguém.
Alguém pra ter do lado, pra ligar depois do trabalho, pra ter com quem xingar o chefe, pra ter pra quem voltar nas sextas de chuva (como vai ser amanhã); pra ficar abraçado, dormir num sábado com filme, poder rir, gargalhar, só olhar pra ela e ficar babando. Alguém pra ficar de mão dada e andar de carro junto. Abraçar e saber que é meu. Fazê-la se perder dentro dos meus olhos e dentro dos meus jogos. Seduzir, quase matar de rir, provocar até a coisa ficar mais do que perigosa, fazê-la perder o sentido e o juízo e ir com ela nisso. Alguém para poder enxugar minhas lágrimas, e meu peito ter a cabeça de quem descansar. Alguém pra dar o primeiro pedaço do bolo, escrever todas as minhas músicas, viajar seja em sonho ou de carro, dizer besteira no pé do ouvido, e ter aflição que não é mais aflição. Poder sentir e reconhecer o cheiro de manhã sem nem abrir os olhos. Ver o sol nascer e se por. Ter quem me chame de “meu, só meu e de mais ninguém”, de qualquer carinho que me faça perder o sentido e ganhar o vermelho mais envergonhado. Alguém pra rolar na grama sob a chuva, pra sentir o cheiro do cabelo, passar os lábios pelos olhos desejando boa noite, voltar depois da briga dizendo que "não consigo ficar sem nem por mais um segundo", pra olhar o mar e pensar nas bolhinhas de sabão do casamento. Pra envelhercer do lado, e ter netos depois de termos nossos filhos. Alguém que me pergunte se a roupa tá boa e que pra mim sempre estará, e que melhor ainda é se tivesse sem. Pra perder horas de sono olhando as estrelas, jogar conversa fora, dar um anel no noivado e uma flor por dia. Olhá-la e ficar admirando-a com aquele barrigão, e saber que o filho que ele espera é nosso. Alguém pro jantar a luz de vela, pra dividir os problemas e a pipoca com leite condensado. Pra dançar bem pertinho fora do ritmo ou até sem música.
Alguém assim..., que simplesmente me ame e eu ame....
Alguém...
O que é meu tá guardado."
" 'Cause without me
You got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on"
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
MetaLgem I
Precisa mais de seus exorcismos do que imaginara. Nos últimos tempos resistira bravamente e permanecera em sua escuridão, em seu silêncio. Mas mesmo assim seus pensamentos e sua interioridade não descansavam nem por um momento. Assim, os textos surgiam dentro de si, e exttravazar era somente questão de tempo. Eles cresciam por dentro num processo por vezes lento, por vezes avassalador, no entanto sempre minucioso, adentrando todas as brechas de alegria, dominando as emoções, consumindo sua consciência até o momento que não pudesse mais suportar e eram lançadas em superfícies brilhantes e com a candura e brancura da neve.
Nos últimos tempos, conversara por horas a fio no escuro e, como dizem: “falar alivia dores emocionais”. Alivia, não as elimina. Talvez por essa razão não enlouquecera, pelo simples despejar de palavras. Mas até isso nele era controlado, meticuloso. Mesmo com o farfalhar de palavras, ainda assim mantinha seus disfarces para que pudesse se preservar do que mesmo ele não queria que estivesse ali. Mas a presença se faz viva apesar dos olhos fechados, apesar dos átrios vendados.
E assim, chegara o momento. Teria que voltar. A confluência dentro de si borbulhava e começar a apertar os pulmões fazendo que o ar não adentrasse mais. Talvez alguns elogios o motivara, mas sabia que a solidão que sentia era a fonte maior do retorno. E era um processo solitário, como o andar entre a gente. Sabia que teria Respirar como em outras vezes. Mas neste período deveria seguir bons conselhos e permanecer longe da janela do segundo andar. Neste entremeio de vida-arte e arte-viva, cultivaria nas profundezas até que pudesse publicá-las pensando que todo o processo fosse maior do que ele próprio, do que as interioridades em si. Tudo isso porque desde quando seus sonhos quase ficaram pelas lacunas, queria ser artista. Talvez conseguisse, talvez eternamente tivesse que tentar. E até isso era meticuloso, mas não 100% controlável, pois como sempre, o tempo acabara e assim era determinado o fim.
"Autopsicografia - Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só as que ele não têm.(...)
.
.
.
Já dizia Fernando..
Clarice dizia que suas palavras precisavam ser sentidas e não entendidas...
Adélia Prado escrevia o que sentia, "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina."..."
Nos últimos tempos, conversara por horas a fio no escuro e, como dizem: “falar alivia dores emocionais”. Alivia, não as elimina. Talvez por essa razão não enlouquecera, pelo simples despejar de palavras. Mas até isso nele era controlado, meticuloso. Mesmo com o farfalhar de palavras, ainda assim mantinha seus disfarces para que pudesse se preservar do que mesmo ele não queria que estivesse ali. Mas a presença se faz viva apesar dos olhos fechados, apesar dos átrios vendados.
E assim, chegara o momento. Teria que voltar. A confluência dentro de si borbulhava e começar a apertar os pulmões fazendo que o ar não adentrasse mais. Talvez alguns elogios o motivara, mas sabia que a solidão que sentia era a fonte maior do retorno. E era um processo solitário, como o andar entre a gente. Sabia que teria Respirar como em outras vezes. Mas neste período deveria seguir bons conselhos e permanecer longe da janela do segundo andar. Neste entremeio de vida-arte e arte-viva, cultivaria nas profundezas até que pudesse publicá-las pensando que todo o processo fosse maior do que ele próprio, do que as interioridades em si. Tudo isso porque desde quando seus sonhos quase ficaram pelas lacunas, queria ser artista. Talvez conseguisse, talvez eternamente tivesse que tentar. E até isso era meticuloso, mas não 100% controlável, pois como sempre, o tempo acabara e assim era determinado o fim.
"Autopsicografia - Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só as que ele não têm.(...)
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Já dizia Fernando..
Clarice dizia que suas palavras precisavam ser sentidas e não entendidas...
Adélia Prado escrevia o que sentia, "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina."..."
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