E esta era a vida que ele escolhera viver. Sem planos A.... B... trocar para o C...
Esperar vivendo era o que decidira. Era diferente de viver esperando, e assim, duas horas sozinho não fazia mais importância. O dia vinha chegando ao fim, e o crepúsculo trazia com a noite a benéfica esperança maldita. Era mais uma forma de enxergar que ainda poderia ter esperança.
Esperanças de quinta à noite deveriam durar para sempre.
E esta esperança mostrava que nem sempre os finais precisam ser as mil maravilhas, podendo ter espaço para as próximas fases. O tempo que demoraria a mudar de estação talvez não possuía mais a relevância que um dia tivera pela simples certeza do rumo das coisas. Apesar do futuro ser construído a cada escolha, Alice sempre tinha razão. Ainda bem que tinha. Não quisera um país das maravilhas. Ele sempre preferia o real. Fosse das ruas londrinas, fosse de qualquer cidade.
Sim, ele sabia que doía como os amigos e a vida acabam por lhe mostrar. Mas sabia que valia a pena. Era esperançoso. Re-vigorante. Re-confortante. O ar adentrava aos pulmões e o deixava leve..., como a espera, depois de fases de desespero, deveria ser.
"But still call me baby
Oh love
So call me by my name"
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
O Sempre no Nunca
E ele se encontrava naquelas nuvens e páginas. Perder se embaixo das nuvens era se encontrar. Não só pelo mistério, sedução, o mal no bem e o bem no mal, os séculos de solidão e romantismo que se via naquelas terras, mas também pela impossibilidade que ainda persistia em rodeá-los.
Só eles sabiam o quanto isso dava nós e laços na garganta. As laçadas não sufocavam para matar, somente para tirar a força e deixar o desespero diante dos olhos.
Retirado também era o foco e tudo se tornava fosco, pois o brilho eterno permanecia tentando encontrar a lembrança. Mas ela ainda não chegara. Ele fechava olhos e podia ver o seu contorno.
Linda...,
Esplêndida...,
Bela como sempre seria a seus olhos...,
independente da forma de envelhecer.
Enxergá-la não era uma questão de esperança. Era certeza. Era a presença que podia sentir. E sabia que um dia estariam juntos desafiando o pra sempre. Perguntava, por vezes, se ela sentira também a sua presença mesmo com a distância. Anotou a pergunta para um dia fazer a ela.
Mas ela ainda não chegara. E esperar, sem planos, era a vida que teria que seguir.
Talvez soubesse a causa para tamanho vazio: Teria que seguir em frente antes ser. Era uma questão de foco, fosco, mas foco.
Um dia estaria ela em sua frente, e assim, abandonaria tudo, e seria feliz.
O tempo que isso demoraria? Esperava que não fosse tão devastador por lentamente também o roubar as forças.
E mais uma vez, teorias de vilões o fizeram se encontrar coberto pelas nuvens.
Era difícil entender como tão facilmente o que cantavam o traduzia tão plenamente. Cada palavra soava como sua, sendo só mais um ponto de encontro sob as páginas, na ausência do sol, com o fim de um belo dia, com a chegada da noite.
Sabia como se sentiam..., o que queriam cantar, as angústias e torturas interiores, o que diziam de maneira simples em conversas com bons amigos:
"Mas confesso que queria alguém.
Alguém pra ter do lado, pra ligar depois do trabalho, pra ter com quem xingar o chefe, pra ter pra quem voltar nas sextas de chuva (como vai ser amanhã); pra ficar abraçado, dormir num sábado com filme, poder rir, gargalhar, só olhar pra ela e ficar babando. Alguém pra ficar de mão dada e andar de carro junto. Abraçar e saber que é meu. Fazê-la se perder dentro dos meus olhos e dentro dos meus jogos. Seduzir, quase matar de rir, provocar até a coisa ficar mais do que perigosa, fazê-la perder o sentido e o juízo e ir com ela nisso. Alguém para poder enxugar minhas lágrimas, e meu peito ter a cabeça de quem descansar. Alguém pra dar o primeiro pedaço do bolo, escrever todas as minhas músicas, viajar seja em sonho ou de carro, dizer besteira no pé do ouvido, e ter aflição que não é mais aflição. Poder sentir e reconhecer o cheiro de manhã sem nem abrir os olhos. Ver o sol nascer e se por. Ter quem me chame de “meu, só meu e de mais ninguém”, de qualquer carinho que me faça perder o sentido e ganhar o vermelho mais envergonhado. Alguém pra rolar na grama sob a chuva, pra sentir o cheiro do cabelo, passar os lábios pelos olhos desejando boa noite, voltar depois da briga dizendo que "não consigo ficar sem nem por mais um segundo", pra olhar o mar e pensar nas bolhinhas de sabão do casamento. Pra envelhercer do lado, e ter netos depois de termos nossos filhos. Alguém que me pergunte se a roupa tá boa e que pra mim sempre estará, e que melhor ainda é se tivesse sem. Pra perder horas de sono olhando as estrelas, jogar conversa fora, dar um anel no noivado e uma flor por dia. Olhá-la e ficar admirando-a com aquele barrigão, e saber que o filho que ele espera é nosso. Alguém pro jantar a luz de vela, pra dividir os problemas e a pipoca com leite condensado. Pra dançar bem pertinho fora do ritmo ou até sem música.
Alguém assim..., que simplesmente me ame e eu ame....
Alguém...
O que é meu tá guardado."
" 'Cause without me
You got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on"
Só eles sabiam o quanto isso dava nós e laços na garganta. As laçadas não sufocavam para matar, somente para tirar a força e deixar o desespero diante dos olhos.
Retirado também era o foco e tudo se tornava fosco, pois o brilho eterno permanecia tentando encontrar a lembrança. Mas ela ainda não chegara. Ele fechava olhos e podia ver o seu contorno.
Linda...,
Esplêndida...,
Bela como sempre seria a seus olhos...,
independente da forma de envelhecer.
Enxergá-la não era uma questão de esperança. Era certeza. Era a presença que podia sentir. E sabia que um dia estariam juntos desafiando o pra sempre. Perguntava, por vezes, se ela sentira também a sua presença mesmo com a distância. Anotou a pergunta para um dia fazer a ela.
Mas ela ainda não chegara. E esperar, sem planos, era a vida que teria que seguir.
Talvez soubesse a causa para tamanho vazio: Teria que seguir em frente antes ser. Era uma questão de foco, fosco, mas foco.
Um dia estaria ela em sua frente, e assim, abandonaria tudo, e seria feliz.
O tempo que isso demoraria? Esperava que não fosse tão devastador por lentamente também o roubar as forças.
E mais uma vez, teorias de vilões o fizeram se encontrar coberto pelas nuvens.
Era difícil entender como tão facilmente o que cantavam o traduzia tão plenamente. Cada palavra soava como sua, sendo só mais um ponto de encontro sob as páginas, na ausência do sol, com o fim de um belo dia, com a chegada da noite.
Sabia como se sentiam..., o que queriam cantar, as angústias e torturas interiores, o que diziam de maneira simples em conversas com bons amigos:
"Mas confesso que queria alguém.
Alguém pra ter do lado, pra ligar depois do trabalho, pra ter com quem xingar o chefe, pra ter pra quem voltar nas sextas de chuva (como vai ser amanhã); pra ficar abraçado, dormir num sábado com filme, poder rir, gargalhar, só olhar pra ela e ficar babando. Alguém pra ficar de mão dada e andar de carro junto. Abraçar e saber que é meu. Fazê-la se perder dentro dos meus olhos e dentro dos meus jogos. Seduzir, quase matar de rir, provocar até a coisa ficar mais do que perigosa, fazê-la perder o sentido e o juízo e ir com ela nisso. Alguém para poder enxugar minhas lágrimas, e meu peito ter a cabeça de quem descansar. Alguém pra dar o primeiro pedaço do bolo, escrever todas as minhas músicas, viajar seja em sonho ou de carro, dizer besteira no pé do ouvido, e ter aflição que não é mais aflição. Poder sentir e reconhecer o cheiro de manhã sem nem abrir os olhos. Ver o sol nascer e se por. Ter quem me chame de “meu, só meu e de mais ninguém”, de qualquer carinho que me faça perder o sentido e ganhar o vermelho mais envergonhado. Alguém pra rolar na grama sob a chuva, pra sentir o cheiro do cabelo, passar os lábios pelos olhos desejando boa noite, voltar depois da briga dizendo que "não consigo ficar sem nem por mais um segundo", pra olhar o mar e pensar nas bolhinhas de sabão do casamento. Pra envelhercer do lado, e ter netos depois de termos nossos filhos. Alguém que me pergunte se a roupa tá boa e que pra mim sempre estará, e que melhor ainda é se tivesse sem. Pra perder horas de sono olhando as estrelas, jogar conversa fora, dar um anel no noivado e uma flor por dia. Olhá-la e ficar admirando-a com aquele barrigão, e saber que o filho que ele espera é nosso. Alguém pro jantar a luz de vela, pra dividir os problemas e a pipoca com leite condensado. Pra dançar bem pertinho fora do ritmo ou até sem música.
Alguém assim..., que simplesmente me ame e eu ame....
Alguém...
O que é meu tá guardado."
" 'Cause without me
You got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on
Without me you got it all
So hold on"
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
MetaLgem I
Precisa mais de seus exorcismos do que imaginara. Nos últimos tempos resistira bravamente e permanecera em sua escuridão, em seu silêncio. Mas mesmo assim seus pensamentos e sua interioridade não descansavam nem por um momento. Assim, os textos surgiam dentro de si, e exttravazar era somente questão de tempo. Eles cresciam por dentro num processo por vezes lento, por vezes avassalador, no entanto sempre minucioso, adentrando todas as brechas de alegria, dominando as emoções, consumindo sua consciência até o momento que não pudesse mais suportar e eram lançadas em superfícies brilhantes e com a candura e brancura da neve.
Nos últimos tempos, conversara por horas a fio no escuro e, como dizem: “falar alivia dores emocionais”. Alivia, não as elimina. Talvez por essa razão não enlouquecera, pelo simples despejar de palavras. Mas até isso nele era controlado, meticuloso. Mesmo com o farfalhar de palavras, ainda assim mantinha seus disfarces para que pudesse se preservar do que mesmo ele não queria que estivesse ali. Mas a presença se faz viva apesar dos olhos fechados, apesar dos átrios vendados.
E assim, chegara o momento. Teria que voltar. A confluência dentro de si borbulhava e começar a apertar os pulmões fazendo que o ar não adentrasse mais. Talvez alguns elogios o motivara, mas sabia que a solidão que sentia era a fonte maior do retorno. E era um processo solitário, como o andar entre a gente. Sabia que teria Respirar como em outras vezes. Mas neste período deveria seguir bons conselhos e permanecer longe da janela do segundo andar. Neste entremeio de vida-arte e arte-viva, cultivaria nas profundezas até que pudesse publicá-las pensando que todo o processo fosse maior do que ele próprio, do que as interioridades em si. Tudo isso porque desde quando seus sonhos quase ficaram pelas lacunas, queria ser artista. Talvez conseguisse, talvez eternamente tivesse que tentar. E até isso era meticuloso, mas não 100% controlável, pois como sempre, o tempo acabara e assim era determinado o fim.
"Autopsicografia - Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só as que ele não têm.(...)
.
.
.
Já dizia Fernando..
Clarice dizia que suas palavras precisavam ser sentidas e não entendidas...
Adélia Prado escrevia o que sentia, "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina."..."
Nos últimos tempos, conversara por horas a fio no escuro e, como dizem: “falar alivia dores emocionais”. Alivia, não as elimina. Talvez por essa razão não enlouquecera, pelo simples despejar de palavras. Mas até isso nele era controlado, meticuloso. Mesmo com o farfalhar de palavras, ainda assim mantinha seus disfarces para que pudesse se preservar do que mesmo ele não queria que estivesse ali. Mas a presença se faz viva apesar dos olhos fechados, apesar dos átrios vendados.
E assim, chegara o momento. Teria que voltar. A confluência dentro de si borbulhava e começar a apertar os pulmões fazendo que o ar não adentrasse mais. Talvez alguns elogios o motivara, mas sabia que a solidão que sentia era a fonte maior do retorno. E era um processo solitário, como o andar entre a gente. Sabia que teria Respirar como em outras vezes. Mas neste período deveria seguir bons conselhos e permanecer longe da janela do segundo andar. Neste entremeio de vida-arte e arte-viva, cultivaria nas profundezas até que pudesse publicá-las pensando que todo o processo fosse maior do que ele próprio, do que as interioridades em si. Tudo isso porque desde quando seus sonhos quase ficaram pelas lacunas, queria ser artista. Talvez conseguisse, talvez eternamente tivesse que tentar. E até isso era meticuloso, mas não 100% controlável, pois como sempre, o tempo acabara e assim era determinado o fim.
"Autopsicografia - Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só as que ele não têm.(...)
.
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Já dizia Fernando..
Clarice dizia que suas palavras precisavam ser sentidas e não entendidas...
Adélia Prado escrevia o que sentia, "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina."..."
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