Precisa mais de seus exorcismos do que imaginara. Nos últimos tempos resistira bravamente e permanecera em sua escuridão, em seu silêncio. Mas mesmo assim seus pensamentos e sua interioridade não descansavam nem por um momento. Assim, os textos surgiam dentro de si, e exttravazar era somente questão de tempo. Eles cresciam por dentro num processo por vezes lento, por vezes avassalador, no entanto sempre minucioso, adentrando todas as brechas de alegria, dominando as emoções, consumindo sua consciência até o momento que não pudesse mais suportar e eram lançadas em superfícies brilhantes e com a candura e brancura da neve.
Nos últimos tempos, conversara por horas a fio no escuro e, como dizem: “falar alivia dores emocionais”. Alivia, não as elimina. Talvez por essa razão não enlouquecera, pelo simples despejar de palavras. Mas até isso nele era controlado, meticuloso. Mesmo com o farfalhar de palavras, ainda assim mantinha seus disfarces para que pudesse se preservar do que mesmo ele não queria que estivesse ali. Mas a presença se faz viva apesar dos olhos fechados, apesar dos átrios vendados.
E assim, chegara o momento. Teria que voltar. A confluência dentro de si borbulhava e começar a apertar os pulmões fazendo que o ar não adentrasse mais. Talvez alguns elogios o motivara, mas sabia que a solidão que sentia era a fonte maior do retorno. E era um processo solitário, como o andar entre a gente. Sabia que teria Respirar como em outras vezes. Mas neste período deveria seguir bons conselhos e permanecer longe da janela do segundo andar. Neste entremeio de vida-arte e arte-viva, cultivaria nas profundezas até que pudesse publicá-las pensando que todo o processo fosse maior do que ele próprio, do que as interioridades em si. Tudo isso porque desde quando seus sonhos quase ficaram pelas lacunas, queria ser artista. Talvez conseguisse, talvez eternamente tivesse que tentar. E até isso era meticuloso, mas não 100% controlável, pois como sempre, o tempo acabara e assim era determinado o fim.
"Autopsicografia - Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só as que ele não têm.(...)
.
.
.
Já dizia Fernando..
Clarice dizia que suas palavras precisavam ser sentidas e não entendidas...
Adélia Prado escrevia o que sentia, "Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina."..."
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Ahá! achei seu blog...
muito bom o texto, gostei do seu estilo, a fluidez do seu texto...
e claro, citação de Fernando Pessoa eh sem comentários. : )
já virei leitora assídua... rsrs
bejão e boa semana
Lih
Postar um comentário