Fazia mais de oito meses que ele não colocara tudo no papel, e exacto um mês que ele se deparara com as novas peças do quebra-cabeça da vida.
Neste tempo de segundo silêncio, as coisas foram um pouco diferente daquele primeiro tempo de reclusão. Desta vez viu a vida passar e agarrou cada oportunidade. Não que tudo tinha sido fácil, pelo contrário. O fácil não tinha graça, e a persistência poderia ter certa dádiva.
Com toda certeza ele diria que vivera; que o sangue correu nas veias, que pode sentir cada batimento alimentar a magnificência que é estar vivo.
Permaneceu vivo na vida: fez amigos, aprofundou certas e outras amizades, destruiu corações, desdenhou do tempo e das distâncias, descobriu amores, viajou e dirigiu como nunca, quase previu o futuro (ou assim ainda desejava), passeou no parque, chorou, teve mais conversar com a luz apagada e pode sentir ainda mais falta disso, agradeceu aos amigos por simplesmente assim serem, permaneceu atónito com o tempo que as coisas podem durar e ainda o quanto elas podem crescer em tão pouco tempo, sorriu, viveu sonhos, e pode até compartilhar um com uma grande amiga. Ganhou Vida.
Viu o mundo se abrir a sua frente e, a cada passo, tinha certeza onde chegaria sem enxergar ao certo todos os caminhos. E aquela história de qualquer caminho não se aplicava por saber o destino.
A vida passou como um trem na noite e ela tinha estrelas. Ainda bem que tinha. Era óptimo olhar o céu, sentir o vento no rosto e perceber que a felicidade estava ali. Não pela esfera momentânea que as vezes fatos isolados podem trazer, mas porque a vida sorria para ele, como sempre faz a nós, e ele sorrira para ela um sorriso cheio de dentes.
E até mesmo pelas circunstâncias que a vida lhe trouxera, estava a voltar a velhas manias pois algumas, mesmo com o tempo e pouca usabilidade, ainda permanecem, o borbulhar e fervilhar ali permanecera. (Re)fez e (re)viu os passos para saber se ainda poderia trilhar cada etapa.
O coração receoso também permanecia.
E acreditou mais uma vez que as coisas acontecem na hora que tem que acontecer. Ainda bem novamente.
Com isso, pode até agradecer aos céus, apesar de algumas vezes questioná-lo, mas sabia que Ele sempre acertara. Tinha uma coração genioso e acelerado, e até disso pode gostar em si.
O gosto da vida passara pelos lábios, e a beijaria novamente para poder ainda ter mais que um mero coração que batia dentro de si. Queria a vida vívida para permanecer no mundo pois o intenso sempre esteve nele, e ele no intenso.
Estava vivo, mais do que nunca, ainda bem, estava vivo.
“ Eu quero uma lua plena, Eu quero sentir a noite, Eu quero olhar as luzes (..)
Agora eu vou viver.”
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
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