Milano. Inverno.
Um dia qualquer com um pouco de sol.
E foi ali, entre as lápides do Cimitero Monumentale, que mais uma vez ele se deparara com a velha constatação: Morrer não dói.
Em cada passo que dava entre aquela falta de vida, percebia ainda mais forte que a morte deveria ser somente mais uma etapa. A etapa de desligar-se, de apagar a luz, de fechar as cortinas e encerrar o espetáculo que se dá no grande palco da vida. E assim, apesar de ser mais uma etapa, era a etapa sem dor, sem sofrimento, sem aquela agonia que sempre permanecia. Permanecia por ele estar vivo.
Viver era que doía.
Mesmo entre as lápides, entre aqueles que descansavam eternamente, percebeu que o simples facto de não ter onde os vivos descansarem ali no Monumentale era mais uma marca que existia: aqueles que tinham o coração por bater teriam que sempre caminhar, e um pouco de cansaço sempre estariam por lhes afligirem.
Até o final, a vida teria aquela velha, e constante, companheira que afligia o coração. O ato de viver não era a etapa de escolher a maior felicidade, mas sim, a menor dor.
Eram sempre escolhas, ele sabia disso, e sempre detestava. Ele não queria escolher. Queria o mundo, queria tudo, cada gole, cada badalada do sino, cada compasso da canção e cada ato da peça no palco da vida.
Por vezes ele escutava: "Você não pode abraçar o mundo".
Ele odiava ouvir aquilo, mas sabia que era verdade. Mas o correr atrás de tudo fora sempre mais uma de suas marcas.
E nesta maratona, a corrida era só.
Esta luta fora sempre solitária, e sempre contra ele mesmo.
Neste palco, era sempre monólogo que reinava.
E nem mesmo plateia havia. A solidão e corroer era mesmo só. Seja enquanto o eterno descansar encontrava-se nas lápides, seja enquanto o coração batia. Ou melhor, doía.
Isso tudo não era marca de amargura ou de pessimismo, mas era somente a constatação do viver.
Poderiam chamá-lo de masoquista, mas ele gostava do viver. Era uma das tarefas emocionantes da caminhada. Tinha o arde das emoções, a intensidade dos sentimentos, e a tragicomédia dos gregos e romanos. Até mesmo os troianos marcavam presença com a guerra e o amor. Fortes por natureza, e doloridos, coloridos e corroídos no mesmo quanto e tanto.
O corroer de coração era marca presente do viver. E, talvez por isso, ele parava de bater na morte. Não teria mais dor, não teria mais sofrer, não teria mais nada. Nem o coração a sofrer.
E a morte não doía.
Um dia qualquer com um pouco de sol.
E foi ali, entre as lápides do Cimitero Monumentale, que mais uma vez ele se deparara com a velha constatação: Morrer não dói.
Em cada passo que dava entre aquela falta de vida, percebia ainda mais forte que a morte deveria ser somente mais uma etapa. A etapa de desligar-se, de apagar a luz, de fechar as cortinas e encerrar o espetáculo que se dá no grande palco da vida. E assim, apesar de ser mais uma etapa, era a etapa sem dor, sem sofrimento, sem aquela agonia que sempre permanecia. Permanecia por ele estar vivo.
Viver era que doía.
Mesmo entre as lápides, entre aqueles que descansavam eternamente, percebeu que o simples facto de não ter onde os vivos descansarem ali no Monumentale era mais uma marca que existia: aqueles que tinham o coração por bater teriam que sempre caminhar, e um pouco de cansaço sempre estariam por lhes afligirem.
Até o final, a vida teria aquela velha, e constante, companheira que afligia o coração. O ato de viver não era a etapa de escolher a maior felicidade, mas sim, a menor dor.
Eram sempre escolhas, ele sabia disso, e sempre detestava. Ele não queria escolher. Queria o mundo, queria tudo, cada gole, cada badalada do sino, cada compasso da canção e cada ato da peça no palco da vida.
Por vezes ele escutava: "Você não pode abraçar o mundo".
Ele odiava ouvir aquilo, mas sabia que era verdade. Mas o correr atrás de tudo fora sempre mais uma de suas marcas.
E nesta maratona, a corrida era só.
Esta luta fora sempre solitária, e sempre contra ele mesmo.
Neste palco, era sempre monólogo que reinava.
E nem mesmo plateia havia. A solidão e corroer era mesmo só. Seja enquanto o eterno descansar encontrava-se nas lápides, seja enquanto o coração batia. Ou melhor, doía.
Isso tudo não era marca de amargura ou de pessimismo, mas era somente a constatação do viver.
Poderiam chamá-lo de masoquista, mas ele gostava do viver. Era uma das tarefas emocionantes da caminhada. Tinha o arde das emoções, a intensidade dos sentimentos, e a tragicomédia dos gregos e romanos. Até mesmo os troianos marcavam presença com a guerra e o amor. Fortes por natureza, e doloridos, coloridos e corroídos no mesmo quanto e tanto.
O corroer de coração era marca presente do viver. E, talvez por isso, ele parava de bater na morte. Não teria mais dor, não teria mais sofrer, não teria mais nada. Nem o coração a sofrer.
E a morte não doía.
2 comentários:
GOSTEI MUITO. COMO JÁ CONVERSAMOS O VIVIER DÓI E DÓI MAIS QUE O MORRER.ACHEI INTERESSANTE ESTAR NA 3ªPESSOA.GOSTEI DO ESTILO, DAS METÁFORAS DE TUDO.
gostei e identifico com o falar do texto
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