Ele saiu de casa e, quando observou que já estava na rua, percebeu que não tinha planos para onde ir. Foi estranha a sensação, pois ele sempre tinha algo para fazer, algo para cumprir.
Olhou para um lado... Olhou para o outro.
E a sensação que teve foi dos pés serem molhados por aquele derramar do céu que ocorrera poucos minutos antes. As meias molharam-se enquanto estava parado ali. Sim, seus sapatos tinham por onde a água entrar. Mas já não tinha mais problema, eles eram brancos e ele ainda gostava deles.
Ainda com a percepção de não ter onde ir, lembrou do que lhe falaram antes:
Mais irresponsável.
E ainda acrescentou:
Menos reflexivo.
Mais irreal.
Deveria ser essa a solução, ou pelo menos parte dela. Ele, que sempre lutara para existir, deveria procurar a irrealidade na real e assim continuar a seguir o caminho.
E desta vez, este o conduzira para aquele velho e delicioso ambiente; aquelas lojas de instrumentos onde ele perdia-se. Não sabia se fazia dois ou três séculos que não passava por ali. E o voltar trouxe a mesma deliciosa sensação, e a novas perspectivas: compraria novos violões, novas cordas, novas canções e tudo mais musicalmente possível. Ou impossível.
Para guardar tudo dentro de si, comprou duas palhetas, e um bocado de sonho com notas de vontade.
Um comentário:
Adorei, João! Muito reflexivo, pensativo e poético! vc é show!! mas acho que o personagem da história deveria ser, de fato, mais irresponsável e, ao invés de ir à loja de instrumentos, deveria se esbaldar por aí hehehehe saudades de um grande amigo! ve se volta para nos presentear com sua grandiosa presença!!
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