sexta-feira, 5 de março de 2010

Ele e Ela, Ela e Ele

Ela não sabia o que queria até o encontrar, Ele a encontrou sabendo o que queria.
Ela sentiu borboletas no estômago, Ele não sabia o que era isso.
Ela reparou nas vírgulas, Ele reparou nos óculos.
Ela flutuava lépida, Ele procurava álibis.
Ela descansava lívida, Ele sucumbia ao pânico.
Ela se entregou, Ele apenas recebeu.
Ela o amou por nuvens de algodão doce e notas musicais, Ele a tomou como mais uma em um vasto mundo de amores vazios e iguais.
Ela falava, Ele não ouvia.
Ela acreditava, Ele mentia.
Ela o esperava, Ele não voltava.
Ela queria coisa séria, Ele só queria se divertir.
Ela sorria para Ele, Ele ria dela.
Ela acreditava em tudo o que Ele dizia, Ele dizia o mesmo para todas.
Ela falava “Eu te amo”, Ele sorria e dizia da boca para fora.
Ela queria para sempre, Ele só por aquele momento.
Ela se entregava, Ele se evitava.
Ela procurava o príncipe, Ele a próxima.
Ela só queria Ele, Ele queria todas.
Ela ficava por conteúdo, Ele por quantidade.
Ela chorava, Ele ria.
Ela sofria, Ele nem ligava.
Ele, enfim, dormiu apático na noite segredosa e cálida, Ela despertou-se tímida feita do desejo, a vítima.

Mas mudanças acontecem.
E são daquelas reviravoltas da vida que nem sempre sabe de onde se veio, mas sabe que se afectará a vida para sempre, o todo sempre.
Iria doer nos dois,
E iria sempre estar por ali.

Ela descobriu que ele era mais um, Ele descobriu que ela era a única.

Ele implorava por mais um único beijo, Ela sentia nojo da própria boca.
Ele revivia os tempos passados, Ela esquecia.
Ele lutava para guardar tudo dentro de si, Ela preferia dilacerar-se para arrancar tudo de lá.
Ele desafiava o para sempre, Ela o nunca mais.
Ele ainda corria atrás, Ela a muito já estava cansada.
Ele queria reviver aqueles seis meses, Ela agradecia por eles estarem na memória.
Ele juntava tudo, Ela entregava os pontos.
Ele ainda dizia que gostava, Ela já não acreditava mais em palavras e actos.
Ele ainda a sentia, Ela não sentia mais nada.
Ela ainda O completava, Ele jamais sentira de facto o que Ela era.
Ele não A merecia, Ela sempre fora boa por demais para e com Ele.
Ele não sabia de nada, Ela pensava sempre.
Ele era a dúvida, Ela a determinação.
Ele sempre teve tudo de bandeja, Ela sempre correra atrás do mundo e conseguira-o.
Ele ainda chorava suas lamúrias, Ela já não lamentava mais.
Ele ainda a guardava como a conhecera, Ela já não sabia mais pelo que se apaixonara.
Ele estacionaria, Ela iria seguir.
Ele queria a velha rotina, Ela novos planos e alvos, novos mundos.


Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você me assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade por favor não dê na vista
Bate palma com vontade, faz de conta que é turista


* Nota do Autor: A primeira parte é a compilação de alguns texto encontrados na internet e ainda o acréscimo da música do Skank: Formato Mínimo - Composição: Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão.
Somente o intermédio e a segunda parte são de autoria própria.

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