Tijolo por tijolo.
Ele tentou derrubar os muros, mas, na verdade, o que fazia era empilhar tijolos.
Ele já não lamentava mais, apenas seguia em frente e via seus horizontes.
Fora ele sempre o vulto bom que se fora, e a vida era para si aquele espelho imperfeito que tornava o viver visível ao seus olhos, como se fosse a vida de outros.
Ele era o vento domável, mas jamais enclausurado ou traído.
Ele era o caminho a sua frente, e a pressão na sola de seus pés.
Ele era a certeza para não mais vacilar, e nem sequer titubear os passos.
Era ainda o acreditar e considerar possíveis suas velhas suposições; somente não mais acreditava naquela situação por saber que ela não era mais para si.
Ele era o boi pra não entrar numa briga, e a boiada para não sair dela.
Era a velhice nos seus olhos, e a experiência do seu viver,
A maturidade de suas roupas, e o trabalho em suas veias,
Suas músicas melodizadas, suas frases inacabadas, sua literatura improvisada.
Era o desafio a sua frente, e a contra-mão do mundo.
Ele era a certeza do que sempre fora, e a dúvida do que iria ser.
Ele era a integridade até o último segundo, e inteiro apesar depois do acabar.
Era o café, e o gosto refinado de seus queijos.
Era a profundeza de seus olhos, e a pureza de suas palavras,
Era o paladar de seus vinhos, e o sorriso da vermelhidão.
Não era mais a culpa, era o aprendizado.
Era a calmaria, e era o pulsar do urbano.
Era completamente o tecnológico e a casa no campo.
Era bom demais, e assim sempre seria.
Já não era mais as lágrimas, era o sorriso/riso da compreensão.
Ele era o que sempre fora, o que por vezes não sabia, mas sempre preferia ser.
Já não era mais o anel em seu pescoço, era seus novos óculos.
Era a combinação de suas cores, sua postura e elegância,
O improvável, mas certeiro do seu viver,
O moderno, mas o aceitar lentamente o seu novo.
Era a transição eterna dos seus pensamentos,
Era o cachorro que queria ter, e teria,
Era o cuidar que descobriu e vislumbrou, e o cuidado de si.
Era o medo de não encontrar, e a certeza que acharia.
Era suas linhas e suas agulhadas,
Era o não mais apagar,
Era o ficar chateado consigo mesmo, mas saber que o outro era o errado.
Era o que desconhecia e com aquilo que fora sonhado.
Era a cinzitude depressiva, e as cores da vividez,
Era a concretude do coração, e a moleza deste,
O silêncio na voz, e a análise de seu olhar,
As oportunidades do seu horizonte,
A inconstância dos pensamentos,
O vento no rosto, e a velocidade do sangue,
A explosão, e o lentamente.
Fora a retidão, apesar de já ter ido.
Ele era a clausura da mente, e o extravasar nas paredes.
Ele era o medo do que poderia acontecer com o outro, mas a certeza do não continuar.
Era a certeza de nunca mais ser visto, e a ternura que guardara dos olhos e do olhar.
Era tudo,
O nada
Era...
So brick by brick
I'm not giving up
I'm not giving giving up
quinta-feira, 15 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Será que é possível explicar-te aquele perguntar de ontem?
Porque a explicação pode ser parte do entender o que não existe.
E o explícito mostra somente a sombra da realidade presente no fundo de nós mesmos e da caverna.
Porque, por vezes, não há nada a explicar. Mas o simples facto de tentar traz a paz que não há na imensidão, e, às vezes, nem nós mesmo sabemos o que se passa aqui dentro. Não se entende e se perde nos corações, mares, desertos, emoções, e em nós mesmo. E o vazio de nós transforma-nos em imensidões a serem desbravadas, e até mesmo brabas, que mostram contradições e paradoxos existentes no simples peito.
E mais do que nunca eu estou perdido em mim.
Eu mesmo não tinha a ideia da pergunta, do perguntar, a questão, o questionar, o porque desta sensação, e todo o desdobrar que traria, mas eu resolvi arriscar. Porque o teste provoca não somente a sensação da possibilidade, mas a averiguação de sinais passados pela vida e pelo viver. E saiba que foi a primeira vez em toda a vida que a fiz assim. E não era eu, não era a mim, não era a você. Foi mais um dos conselhos que não deveriam ter sido tomados, dos que nunca tomei e desta vez cedi pelos mares revoltos, por ser da parte paternal e pensei que poderia segui-lo. Doce, amarga, fel ilusão da vida a distância que assim nos toma e faz acreditar que poderia ser verdade. Eu jamais segui tais conselhos. Pensar que poderia segui-los agora foi somente mais uma cegueira de todo o mar. Mais uma vez vejo-me tão diferente; mais um que eu não deveria ter escutado, aceitado, acreditado. Mas por estar perdido nesta imensidão, lembrei dele e resolvi arriscar. Não era eu, jamais fui, sou, serei, pois, a incerteza ajuda na construção da decisão e certeza, e, por mais que não se saiba qual caminho a ser seguido, sabe-se alguns trilhos e rotas.
E confesso que me pergunto qual será a imagem que ficará, qual o oceano, ou mesmo a terra à vista. Mas pelo menos assim você conheceu uma parte de mim. Uma parte que eu não sou. É o ser que não é. É quase o que não pode ser visto por simplesmente não existir, e eu quase forcei que estivesse aqui devido ao simples facto de vacilar os passos por caminhos e olhos lacrimosos.
Já sabia de antemão o simples facto de algumas ocasiões não poderem ser estragadas pelas situações adversas da vida, dos corpos e das marés. Estar perdido não é justificativa, mas acho que infelizmente prejudica na leitura.
E assim, nada pode ser explicado, e simplesmente o passado serve para nos contrariar e entender, para que, no futuro, seja menos um erro a mais a ser vivido, e o débil que há dentro de nós se faça mais ausente, assim como a pergunta, e mesmo o não ser que passou ontem aqui.
Perdi me muitas vezes pelo mar,
com o ouvido cheio de flores recém cortadas,
com a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes me perdi pelo mar, como me perco no coração de alguns.
Porque as rosas buscam em frente uma dura paisagem de osso,
e as mãos do homem não tem mais sentido do que imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns,
perdi me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.
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