Em tempos atrás, ele pensou que havia parado o viver e seguido para além do além-mar. Mas, porque por vezes as passagens da vida são contraditórias e no entanto possuem a beleza intrínseca do mistério, fora um processo quase contrário de tudo que pensara e que acharia.
Afinal, quando se pensa que está preparado, pode realmente não estar.
Quando se acha que se perderá, é então que há o encontro.
E ele pensava que estava por ir vagar, no entanto, o que faria era aportar.
E isso porque aportar não está ligado ao facto de estar abrigado a beira, está ligado ao facto de ter para onde voltar, ter onde jogar suas âncoras na terra, suas raízes no mar e assim ser mais do que simplesmente guarida; é ser Identificação.
Mas para identificar-se precisa saber do intrínseco e pertencente a si, pois caso contrário, sempre se vagará a olhar para espelhos imperfeitos, e nunca um porto há-de encontrar. E assim, antes de encontrar, perdeu-se entre sonhos, mas também pesados pesadelos; perdeu-se de si mesmo e até mesmo do seu coração, perdeu-se entre cobertores depressivos e a cinzitude dos porquês; perdeu-se em porquês que seriam somente respondidos no tempo, tempo correcto de aportar.
E na identificação de aportar, o tempo não o matara como fizera com Narciso. Este sempre achou feio o que não era espelho e teve seu fim ao fundo. Com ele quase fora o contrário: fora ao fundo e reflexo que vira fizera o voltar a superfície para então encontrar-se. Soubera dos porquês exactos de latitudes e longitudes, do passado arraigado em si, do poder de palavras pronunciadas, e até mesmo do quadriculado que havia em seus pés. Soube da sua independência, da sua métrica, da sua exclamação, determinação e também mesmo dos pontos de interrogação. Soube do que gostava em si, até mesmo do que gostavam, do coração, da falta que faria e que este também sentiria.
Como nunca, fora ele próprio pela simples estratégia de ser, e gostara disso, gostaram disso, conquistaram com isso e, por isso, foi e foram felizes. E esta felicitude não seria mais circunstancial e quase paradoxal, seria presente porque encontrara-se, encontraram-se, identificou, identificaram-se, e assim, apesar de mais quantos mundos criasse e encontrasse, tinha onde poderia voltar quando quisesse, tinha sempre um reflexo, um ponto.
Tinha seu Porto.
Um comentário:
se fosse preciso completar algo mais eu diria hum... tõ bem sintonizado(a)...
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